Os dados que as pulseiras e os relógios fitness coletam sobre seu corpo vão muito além de apenas quantos passos você deu, e pesquisadores estão só agora começando a entender como aproveitar todo esse valioso poder de coleta de informações.

Um novo estudo da startup de saúde Cardiogram, em conjunto com a Universidade da Califórnia em São Francisco, sugere que wearables como o Apple Watch e o Fitbit poderiam ser usados para detectar com precisão condições comuns, como hipertensão e apneia do sono. Esse é só o exemplo mais recente em uma série de estudos em que pesquisadores utilizaram os biossensores das pulseiras para transformá-las em dispositivos que conseguem detectar e monitorar problemas sérios de saúde.

No novo estudo, apresentado na segunda-feira (13) no encontro anual Scientific Sessions, da American Heart Association, mais de seis mil usuários do app Cardiogram foram recrutados para participar da pesquisa Health eHeart, da UCSF. Desses, 2.300 participantes haviam sido diagnosticados com hipertensão e 1.016, com apneia do sono. Pesquisadores treinaram um algoritmo de aprendizado de máquina chamado DeepHeart com dados de 70% dos participantes, tanto de pessoas com apneia do sono e hipertensão quanto aquelas sem. Eles então testaram o algoritmo nos 30% restantes dos participantes. Cerca de 90% do tempo, o app foi capaz de detectar com precisão aqueles com apneia do sono; 82% do tempo, detectou a hipertensão precisamente.

Esse nível de precisão, concluíram os pesquisadores, foi alto o bastante para servir como uma triagem inicial, com o diagnóstico tradicional de um médico sendo a palavra final. A ideia é que o sensor de batimento cardíaco do seu Apple Watch ou Fitbit faça, constante e automaticamente, a triagem dessas condições, sinalizando que você precisa visitar seu médico se o algoritmo detectar algo anormal.

Essa foi a segunda colaboração entre a UCSF e o Cardiogram. Em sua primeira empreitada, eles descobriram também que o Apple Watch conseguia detectar um tipo sério, mas frequentemente sem sintomas, de arritmia cardíaca: a fibrilação atrial.

Em um outro estudo recente, pesquisadores da Universidade Stanford projetaram um algoritmo que conseguia peneiras horas de dados de ritmo cardíaco coletados por monitores vestíveis para determinar se um paciente tinha um batimento cardíaco irregular.

Parte do objetivo do trabalho é determinar se tecnologias como o Apple Watch podem ser úteis para a saúde em geral.

“Simplesmente propagandear isso como tecnologia de saúde não é suficiente. As empresas deveriam estar trabalhando com pesquisadores clínicos para descobrir demandas de saúde não atendidas e o que funciona para os pacientes”, disse o autor do estudo, Gregory Marcus, diretor de pesquisa clínica no departamento de cardiologia da UCSF, em entrevista ao Gizmodo, após o estudo inicial.

Até agora, parece que a resposta é que o Apple Watch, afinal de contas, pode mesmo ser útil.

Mas além de mais estudos para confirmar a precisão dos diagnósticos, os pesquisadores também terão que estudar se acompanhar métricas de saúde como condições cardíacas vai, de fato, levar a uma mudança positiva na saúde dos consumidores. Embora médicos e alguns seguradores tenham promovido o Apple Watch como uma ferramenta para encorajar um comportamento saudável, não está claro se ele está realmente fazendo isso. Um estudo no ano passado descobriu que pessoas que usavam pulseiras fitness por 18 meses enquanto tentavam perder peso na verdade perdiam menos peso do que pessoas que não usavam.

Imagem do topo: Alex Cranz/ Gizmodo