O escândalo de espionagem mundial continua. O Brasil já era alvo prioritário dos EUA, mas parece que os canadenses também estão de olho no nosso país. Segundo documentos secretos vazados por Edward Snowden, a CSEC (Agência Canadense de Segurança em Comunicação) espionou as comunicações do Ministério de Minas e Energia.

O Fantástico revela que a agência mapeou a rede de comunicações do ministério, incluindo telefones fixos, celulares e computadores. Eles sabem com quem cada pessoa falou, quando, onde e como. Não há indícios de que o Canadá tenha acessado o conteúdo das comunicações – mas, de acordo com o documento, este seria o próximo passo.

O Olympia, programa de computador que realiza a espionagem, monitorou ligações, e-mails e mais para revelar os contatos entre o Ministério e outros órgãos. O objetivo é criar um mapa detalhado com quem o Ministério de Minas e Energia mantém contato, dentro e fora do Brasil.

E eles conseguiram: o documento cita ligações feitas para parceiros no Equador e Peru, por exemplo. A ferramenta identifica o número de celular, registro do chip, e a marca e modelo do aparelho utilizado. Também há registros de e-mails para países do Oriente Médio, África do Sul e o próprio Canadá.

O Ministério de Minas e Energia é importante pois estão ligadas a ele empresas como Petrobras, Eletrobras, além de órgãos como a ANP – que leiloa campos de exploração de petróleo – e a Aneel. As reservas minerais brasileiras são públicas, porém o ministério guarda informações estratégicas sobre elas. Segundo o Fantástico, 75% das grandes empresas de mineração no mundo têm sede no Canadá.

O programa Olympia é detalhado em uma apresentação vazada por Snowden, em junho, ao jornalista americano Glenn Greenwald. No entanto, este documento só foi localizado na semana passada. Ele foi utilizado em junho de 2012 em uma reunião com agências de espionagem de cinco países, o Five Eyes: EUA, Inglaterra, Canadá, Austrália e Nova Zelândia. Edward Snowden diz que estava nessa conferência.

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O Olympia aparentemente não espionava o conteúdo das ligações ou e-mails, apenas fazia registro deles. Mas a apresentação vazada termina propondo ações para o futuro: uma operação conjunta com a NSA para realizar um ataque conhecido como “man on the side”. É uma forma de copiar informações que entram e saem da rede.

Para isso, eles trabalhariam com o TAO (Operações de Acesso Específico), uma unidade da NSA que se infiltra em redes de países que os EUA queira espionar. Usando o XKeyscore, eles conseguem analisar até dois petabytes de dados por hora de forma automática, segundo a Bloomberg.

Reação

Na sexta-feira, antes de exibir a reportagem, o Fantástico entrevistou Edison Lobão, ministro das Minas e Energia. Ele considera “um fato grave que merece repúdio. Aliás a presidenta Dilma já o fez amplamente na ONU”.

Dilma Rousseff se manifestou no Twitter contra a espionagem, dizendo que o Ministério das Relações Exteriores vai cobrar explicações:

Antes da reportagem ser exibida, Dilma disse que vai propor à ONU um marco civil internacional para a internet, depois que nosso Marco Civil for votado. Ele está travado na pauta há meses, mas a presidente diz que ele será votado “nas próximas semanas”. Além disso, ela afirma que pedirá reforço na segurança dos sistemas do ministério.

O ex-presidente da Eletrobras, Luiz Pinguelli Rosa, entende que a espionagem “podem servir a empresas que concorram nesses leilões… Ela sabe o que vai acontecer antecipadamente. Isso é um jogo de bilhões de dólares”.

CSEC e NSA não comentam o caso. [Fantástico]

Foto por Blog do Planalto/Flickr