Para aqueles esperando que a internet evite uma vida de solidão, más notícias: sites de relacionamento amoroso são um mentira, dizem cientistas. A boa notícia é que eles ainda meio que funcionam por acidente, e pode até levar a sexo!

Par Perfeito, Namoro Online, eHarmony, Match.com… Não adianta fingir, você pelo menos já ouviu falar de algum deles. Mas para quem fez perfil neles, atenção: o novo e apocalíptico estudo, revelando um enorme conjunto de indícios sobre o que nos faz querer tirar as calças e falar de cinema com outra pessoa, é direto. Do periódico Psychological Science in the Public Interest:

A forte ênfase em navegação por perfis na maioria dos sites de relacionamento tem desvantagens consideráveis, e há pouco motivo para acreditar que os algoritmos atuais de compatibilidade sejam especialmente efetivos.

Em outras palavras, aquela porcentagem próxima a uma mulher e/ou cara no OK Cupid não significa nada. Bem, isso não é completamente verdade: ela quer dizer alguma coisa, ela só não significa nada de importante – não significa que você vai apreciar a existência desta pessoa.

Parte disso é porque não sabemos como estes sites funcionam: o processo pelo qual um computador decide que você é 86% feito(a) para este(a) estranho(a) na internet é proprietário:

A compatibilidade da sua personalidade ou valores não pode ser avaliada significativamente, porque o site omite quais informações sobre os traços de personalidade e valores são considerados e avaliados, quais recebem maior ou menor peso, e como é estabelecida a compatibilidade

Mas também, quem realmente sabe o que importa e o que não importa? Você sabe? Provavelmente não, ou não estaria pedindo para um computador fazer isto por você. E não há nada de mal nisso, porque você é humano, e descobrir estas coisas é difícil, senão impossível. Infelizmente para você, as pessoas programando estes códigos casamenteiros também são humanos, em vez de serem magos ou telepatas sexuais – então será que o software deles conseguiria pensar melhor do que qualquer um de nós? Mais uma vez, a ciência traz notícias tristes:

Como seres humanos são complicados e multifacetados, é improvável que dois indivíduos que se parecem de uma forma (ex. ambos amam grandes festas) sejam parecidos de todas as formas (conservadorismo político, gosto por culinária da Etiópia, ascendência étnica, ser aberto a novas experiências etc.). A ideia de que a similaridade em geral pode facilitar relacionamentos bem-sucedidos não diz absolutamente nada sobre quais dimensões de similaridade deveriam ser favorecidas em prol de outras. Na ausência de uma direção teórica clara, a pesquisa sobre as implicações da similaridade examinou muitas possíveis formas de parceiros serem semelhantes, obtendo resultados variados para diferentes tipos de similaridade.

Então não, o fato de que vocês dois se listam como politicamente moderados e gostam das músicas antigas do Weezer não valida aquele percentual do amor. Na verdade, ele pode induzir você a achar que está no caminho certo, quando você está apenas olhando em um espelho:

Saber que uma pessoa branca, com nível superior e católica provavelmente será mais feliz com outra pessoa branca, com nível superior e católica ainda deixa um número não-administrável de parceiros dos quais escolher.

Ugh! Como se ser católico, branco e ter faculdade já não fosse difícil! Ciência, agora você está sendo muito inconveniente. As pessoas só querem usar a internet para procurar humanos da mesma forma que pedem delivery do McDonald’s! Isso é errado, por acaso? Ah, é errado mesmo?

Encontrar parceiros em potencial através de perfis de relacionamento online reduz pessoas tridimensionais a telas bidimensionais de informação, e estas telas não conseguem capturar aqueles aspectos empíricos de interação social, essenciais para avaliar a compatibilidade de alguém com parceiros em potencial. Além disso, o acesso imediato a um conjunto de parceiros em potencial pode gerar uma atitude orientada a avaliação que leva usuários a considerar potenciais parceiros como objetos, e pode até reduzir sua disposição em se comprometer a um deles.

Bem, quando você coloca dessa forma, navegar por humanos como por uma coleção de DVDs no Submarino é mesmo considerá-los como objetos. Mas o estudo conclui que, no mínimo, você ainda pode acabar chegando a um relacionamento (ou à cama de alguém):

Mantendo tudo o mais constante, ter acesso a muitos parceiros em potencial é melhor do que ter acesso a poucos ou nenhum. Se capaz de se comunicar com parceiros em potencial com segurança e conveniência oferece um bom precursor a encontros cara a cara com pessoas que você ainda não conhece. A confiança de que parceiros de relacionamento especialmente ruins foram retirados do conjunto de escolha é um prospecto atraente. Em suma, o potencial de namoro online para melhorar o processo de encontrar e garantir um relacionamento que satisfaça e traga comprometimento é ótimo.

Confiança! Você pode ter bastante dela para encontrar alguém na vida real. Só não vá achar que algoritmos dão bons motivos para estar confiante na pessoa – eles pouco sabem. [Online Dating via BusinessWeek via Dave Pell]