Até bem recentemente, o homem viu os céus apenas dentro do espectro visível. Quando LOFAR, o maior telescópio do mundo, olha para o céu, ele vê as profundezas do universo em rádio.

LOFAR é a sigla para Low Frequency Array for Radio Astronomy (Arranjo de Baixa Frequência para a Radioastronomia). O sistema foi construído e é operado pela fundação astronômica da Holanda, ASTRON. Já que a quantidade de informação que os rádios telescópios podem coletar é limitada pelo tamanho do arranjo e o fator financeiro restringe o limite do tamanho em potencial do telescópio, os rádios telescópios não tinham sido capazes de conseguir a resolução necessária para estudar as profundezas do universo. LOFAR evita completamente esse problema usando um projeto revolucionário baseado em um vasto conjunto de antenas omnidirecionais.

Ao invés de usar um único telescópio monumental, o sistema usa um arranjo interferométrico de 15 mil antenas pequenas e 77 estações grandes (ambos podem ser vistos na foto acima – as antenas estão agrupadas em primeiro plano). Essas várias estações estão agrupadas ao longo de 1000km da Europa. A Holanda (obviamente), Alemanha, Grã-Bretanha, França e Suécia abrigam estações de antenas e mais ainda estão atualmente em construção em outros países da Europa.

O sistema observa radiofrequências em ~ 10-240 MHz, com uma área total de coleta efetiva de cerca de 1 quilômetro quadrado. Pela área de coleta ser tão enorme, o sistema pode alcançar uma maior resolução e maior sensibilidade do que pesquisas de rádio anteriores nessa mesma frequência. E por usar antes simples, omnidirecionais, ao invés de um único rádio telescópio, LOFAR pode observar em várias direções simultaneamente. Atrasos de fase entre as antenas orientam para onde o sistema está “olhando”. Uma vez coletados, os dados então são transmitidos para a Universidade de Groningen onde um supercomputador Blue Gene/P usa um software de síntese de abertura para juntar o mapeamento.

Os arranjos irão investigar principalmente as partes mais antigas do universo – como a Era da Reionização (Melhor.Era.De.Todas.), e a então chamada “Era das trevas” depois do Big Bang quando o universo se recombinou e ficou neutro. Eles também irão iluminar a formação dos enormes buracos negros, galáxias e aglomerados de galáxias, mapear todo o céu visível pela Holanda em uma única noite, e estudar ejeções de massa coronal solar.

[LOFAR Wiki – LOFAR – Foto: Wolfgang Reich, MPIfR]

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