Se houver vida alienígena em nosso sistema solar, provavelmente ela é muito pequena e difícil de detectar, além de estar enterrada abaixo da superfície de uma lua de gelo. No entanto, um novo teste desenvolvido por cientistas do Laboratório de Jato-Propulsão da NASA pode aumentar nossas chances de encontrar micróbios extraterrestres e acabar com nossa solidão cósmica de uma vez por todas.

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As proteínas, expressão direta do DNA, são um componente chave da vida como conhecemos. Os blocos de construção delas, chamados de aminoácidos, formam-se espontaneamente pelo universo, mas criam um padrão distinto, ou “bioassinatura”, quando a vida está envolvida em sua produção. Agora, os cientistas conseguiram criar uma técnica química à moda antiga para analisar esses padrões de aminoácidos, criando uma ferramenta para detectar bioassinaturas alienígenas em poucos gramas de água do mar.

O método, dez mil vezes mais sensível do que as técnicas similares usadas pelo rover Curiosity, em Marte, é idealmente apropriado para uma missão de busca por vida na lua Europa, de Júpiter, ou na Encélado, de Saturno, conta ao Gizmodo Peter Willis, principal autor do estudo. Willis e seus colegas publicaram o trabalho no periódico Analytical Chemistry.

“A comunidade de astrobiologia reconheceu os aminoácidos como alvos singularmente interessantes na busca por vida”, disse Willis. “Entretanto, as tecnologias disponíveis para fazer essas análise são incompletas, em termos de sensibilidade e do número de aminoácidos que podem ser analisados, particularmente na área de análise quiral.”

As moléculas quirais, incluindo os aminoácidos, são moléculas que vêm de versões de imagem espelhada — uma “canhota” e outra “destra”. Quando os aminoácidos se formam no espaço, os cientistas esperam ver uma mistura igual das duas versões. Mas, aqui na Terra, quase todos os aminoácidos são canhotos. Isso porque a biologia exige essa consistência básica para que as proteínas se dobrem apropriadamente.

Os astrobiólogos esperam que toda vida feita de proteína — onde quer que seja — irá “escolher”, de forma similar, produzir aminoácidos apenas canhotos ou apenas destros. Ao determinar essa quiralidade, o novo processo de Willis oferece um teste rápido e sensível para atividades biológicas extraterrestres. A técnica consegue, simultaneamente, distinguir 17 aminoácidos comuns em concentrações muito baixas.

Os pesquisadores testaram seu método no Lago Mono, um lago altamente salgado e alcalino na Califórnia que pode ser quimicamente parecido com o oceano que abrange o globo abaixo da superfície da lua Encélado, de Saturno. Eles esperam eventualmente conseguir colocar a ferramenta em uma sonda e enviá-la em busca de vida em outros cantos do nosso sistema solar.

Jonathan Lunine, astrônomo da Universidade Cornell e coinvestigador no “Localizador de Vida na Encélado“, uma nova sonda sugerida no programa New Frontiers, da NASA, cuja missão compartilha o mesmo nome, diz que a técnica foi interessante. “Não é o primeiro instrumento do tipo a operar desta maneira (no laboratório), mas, sem dúvidas, é uma ferramenta valiosa no arsenal para levar o desenvolvimento adiante”, contou ao Gizmodo.

Lunine alertou, porém, que o novo método precisa ser testado e provado algumas vezes antes de que estejam prontos para enviá-lo nas aventuras do New Frontiers (o time do Localizador de Vida na Encélado está atualmente buscando financiamento para um lançamento em 2025). Além das móleculas quirais, outros indicadores, como padrões de hidrocarboneto, serão necessários para provar que encontramos alienígenas, diz Lunine.

Ainda assim, é sempre animador saber que cientistas estão desenvolvendo melhores ferramentas para responder à profunda indagação sobre os humanos estarem ou não sozinhos no universo. Agora, vamos ver se conseguimos responder a essa pergunta sem irritar o polvo alienígena.

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Imagem: Aliens Wiki

Imagem do topo: NASA