Nessa quarta (31), a SpaceX enviou um satélite do governo para a órbita terrestre usando o seu foguete Falcon 9. Normalmente, estes foguetes retornam à Terra para serem utilizados em outras missões, mas nesta ocasião, a companhia o usou para testar um sistema de pouso experimental. O Falcon 9 estava programado para encerrar a missão e ser descartado no oceano, mas o foguete inesperadamente conseguiu sobreviver ao pouso.

O foguete Falcon 9 enviou com sucesso o satélite de comunicação GovSat-1 para a órbita 32 minutos depois do lançamento da estação da Força Aérea de Cabo Caraveral na Flórida, EUA. Comissionado pelo governo de Luxemburgo e pela operadora de satélite SES, ele “permite comunicações seguras entre teatros de operações técnicas, para missões marinhas ou sobre áreas afetadas por crises humanitárias”, descreve o comunicado à imprensa da SpaceX. O satélite foi projetado para uso em trabalhos de vigilância e reconhecimento, e ele está equipado com funções anti-interferência, telemetria criptografada e controle.

A nave utilizada na missão, o foguete B1032, já havia completado um trabalho semelhante, depositando um satélite na órbita em maio de 2017. Mas conforme a SpaceX vagamente disse antes da missão, ela “não tentaria recuperar a primeira fase do Falcon 9 depois do lançamento”. Mesmo durante o lançamento, o engenheiro da SpaceX Michael Hammersley admitiu ser “estranho” considerar que eles não iriam recuperar o foguete. “A SpaceX já posou cerca de 20 primeiras fases [de foguetes] até então”, ele disse durante a transmissão. “O objetivo para cada primeira fase é durar [por] dezenas de lançamentos em curtos períodos, e centenas ou milhares de lançamentos em longos”.

Foi somente mais tarde que Elon Musk, CEO da SpaceX, explicou o que estava acontecendo, e que o foguete seria usado para testar um novo sistema de lançamento. O Falcon 9 “pousou” na água para prevenir qualquer dano à plataforma de lançamento flutuante.

“Este foguete foi usado para testar um impulso contrário muito forte enquanto pousava na água para que não houvesse dano a nave, mas surpreendentemente ele sobreviveu”, disse o CEO em um tuíte. “Vamos tentar trazê-lo de volta”.

Nos comentários, Musk confirmou que o Falcon 9 passou por um pouso de três motores, no qual três dos nove motores Merlin 1D foram ativados Antes disso, todos os pousos do Falcon 9 usaram apenas uma ignição Merlin 1D. A Teslerati explica:

[Ao] usar três motores, é possível que a SpaceX venha a eventualmente fazer uso de pousos ainda mais agressivos. Apesar das óbvias desvantagens como incluir um controle de manutenção dificultoso e um maior estresse do impulsionador, os benefícios são muito inerentes. Ao fazer uso de mais ignições, a duração da queima do pouso pode ser drasticamente encurtada, resultando em um uso mais eficiente do combustor ao minimizar as perdas com a gravidade (a cada segundo que o foguete tenta ir para o alto ele está um segundo lutando contra a gravidade da Terra, que puxa o foguete para baixo por cerca de 9.8 m/s².

Surpreendentemente, o foguete pareceu sobreviver ao “pouso”, e a SpaceX o trará de volta a terra para inspeções. A SpaceX de fato disse que não iria recuperá-lo, então não se sabe se ele será remendado para um terceiro uso. É difícil, no entanto, acreditar que um cliente preferiria colocar um caríssimo e precioso satélite dentro de um foguete que pode ter sido estragado pela água do mar. Mas quem sabe. A companhia pode talvez salvar algumas partes do foguete, na pior das hipóteses.

[SpaceX]

Imagem de topo: o foguete Falcon 9 depois do pouso experimental. (Créditos: SpaceX/Elon Musk)