Ciência

O que é pior: cigarro eletrônico ou narguilé?

Produtos de tabaco populares entre os jovens, cigarro eletrônico e narguilé preocupam autoridades de saúde pelos efeitos colaterais que causam
Imagem: Anestiev/ Pixabay/ Reprodução

“Fumar narguilé é como fumar 100 cigarros”. Essa frase já foi destaque na campanha de controle do tabagismo de 2015 e espantou a população que pensava que o hábito era inofensivo. Recentemente, o mesmo aconteceu com os cigarros eletrônicos, também conhecidos como “vapes“.

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Populares entre jovens e disponíveis em versões saborizadas, oa vapes ganharam o noticiário com casos de pessoas que apresentaram problemas respiratórios após o uso.

Diversas evidências científicas já demonstraram que o uso de cigarro eletrônico ou de narguilé causam riscos semelhantes e até maiores que outras formas de fumar. Ainda assim, em geral, não é possível apontar o principal vilão, uma vez que ambos têm como base o tabaco, produto prejudicial à saúde.

Cigarro eletrônico e vape: inofensivos?

No Brasil, tanto o “vape” quanto o narguilé são utilizados especialmente entre os jovens, com parte dos fumantes começando o vício com menos de 18 anos. Por isso, são considerados como porta de entrada para o tabagismo e muitas vezes podem levar ao cigarro.

Em geral, o cigarro eletrônico ficou conhecido como sendo um produto que libera níveis mais baixos de substâncias tóxicas que os cigarros comuns. Por isso, ganhou fama como uma possibilidade de transição entre o vício e parar de fumar.

Contudo, o uso contínuo tem efeito contrário do esperado, de forma que os fumantes de “vape” se tornam usuários ainda mais intensos. Em sua composição, um cigarro eletrônico contém um cartucho recarregável e uma bateria. 

No cartucho, além de diversos aromas, há também propilenoglicol e nicotina. Assim, se torna viciante e, pela praticidade do uso, as pessoas inalam as toxinas em uma quantidade maior de vezes.

Além disso, o “vape” emite ou fumaça, ou vapor, e ambos prejudicam aqueles que estão por perto e inalam as substâncias.

No caso do narguilé, há um filtro de água pelo qual a fumaça passa antes de ser aspirada pelo fumante, por meio de uma mangueira. Ainda assim, grande parte das toxinas derivadas do tabaco utilizado continuam presentes e vão para o organismo da pessoa.

Há também o fator de que as fontes de aquecimento do narguilé são o carvão ou a madeira em brasa, que liberam mais substâncias nocivas além daquelas do tabaco. E o risco ainda aumenta porque, como um hábito social trazido de países árabes, uma rodada de fumo no narguilé pode levar cerca de 45 minutos a uma hora — tempo esse que equivale à inalação de 100 cigarros convencionais.

Estado de alerta

De acordo com a Comissão de Controle do Tabagismo do CFM (Conselho Federal de Medicina), todas as formas de uso do tabaco são prejudiciais à saúde e à qualidade de vida — até mesmo aquelas apontadas de forma equivocada como menos nocivas.

Segundo a Anvisa, diversos tipos de doenças são associados ao uso de narguilé. Por exemplo, a dependência física e psíquica, a impotência, doenças cardíacas e diversos tipos de câncer, como o de pulmão, de fígado e o oral.

No caso dos cigarros eletrônicos, que são mais recentes, as evidências indicam que o vício também pode aumentar o risco de surgimento de câncer, além de doenças respiratórias e cardiovasculares, como a morte súbita.

Dessa forma, reforçam que não há produto de tabaco seguro para o consumo humano. No Brasil, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) proíbe a importação, propaganda e o comércio de cigarros eletrônicos.

Mas o mesmo não acontece com os narguilés, que são permitidos por serem considerados produtos culturais. Ainda assim, há tratamento no SUS para pessoas que querem deixar de fumar de maneira segura.

Bárbara Giovani

Bárbara Giovani

Jornalista de ciência que também ama música e cinema. Já publicou na Agência Bori e participa do podcast Prato de Ciência.

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