Em 2011, o Rio Missouri, nos EUA, transbordou, em uma inundação catastrófica que poderia ter sido prevista a partir do espaço. Satélites não podem tirar fotos de neve ou rios, mas podem detectar pequenas mudanças na gravidade sobre a área de superfície da Terra para monitorar a água.

Os satélites em questão fazem parte da missão GRACE da NASA, originalmente criada para monitorar o derretimento das calotas polares. Juntos, eles orbitam a 220 km acima da Terra, medindo a distância precisa entre um e outro e entre eles e a Terra. Se você lembra das aulas de física no Ensino Médio, sabe que a gravidade é proporcional à massa, então um acúmulo local de, digamos, gelo ou água sobre a superfície da Terra perturbaria a órbita dos satélites. Os GRACE medem o campo gravitacional da Terra e, por extensão, o movimento da água na superfície do nosso planeta.

“Assim como um balde só pode conter uma certa quantidade de água, o mesmo conceito se aplica a bacias hidrográficas”, disse J.T. Reager, autor de um novo estudo sobre previsão de enchentes, ao LiveScience. Ao identificar bacias hidrográficas saturadas, o GRACE pode ajudar cientistas a preverem áreas mais vulneráveis a enchentes. Quando Reager e sua equipe analisou os dados de antes das inundações de 2011 no Rio Missouri, eles puderem ver que elas aconteceriam com 5 a 11 meses de antecedência. Observadores de campo de solo e neve, por outro lado, só conseguem prever com um ou dois meses de antecedência.

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Existem, claro, algumas limitações ao modelo. O estudo de Reager analisou apenas dados retrospectivamente, e precisamos ver como ele se sai nas enchentes futuras. Ele também não pode prever inundações causadas por monções. Mas a NASA trabalha para fazer os dados do GRACE ficarem disponíveis para cientistas mais rapidamente, então um dia poderemos nos preparar melhor para essas catástrofes. [Nature Geoscience via LiveScience]

Foto de topo: enchente do Rio Missouri em 2011. AP/Dave Weaver.