Eric Schmidt e Julian Assange se encontraram em junho de 2011 e conversaram por muito tempo sobre diversos assuntos.

A reunião deles foi feita em segredo quando Assange estava em prisão domiciliar no Reino Unido. Schmidt entrevistou o criador do Wikileaks para ter material para o seu livro, The New Digital Age (A Nova Era Digital, ainda sem tradução em português), que será lançado na próxima terça-feira, dia 23 de abril. E, dias antes do lançamento do livro, a transcrição da conversa dos dois foi divulgada pelo WikiLeaks.

Também estiveram presentes na reunião o diretor do Google Ideas, Jared Cohen, que também é o co-autor do livro de Schmidt; e Lisa Shields, do Conselho de Relações Internacionais dos Estados Unidos. Eles conversaram por cinco horas e trataram de assuntos como a criação do Wikileaks, Bitcoin, companhias aéreas, o Google e muito mais.

Sobre o começo do WikiLeaks, Assange explicou que nem sempre teve certeza de que a internet aceitaria o WikiLeaks da forma como ele foi concebido.

Julian Assange: Durante os dois primeiros anos nós brigamos para saber se éramos algo aceitável para estar na internet ou não. Após dois anos, principalmente depois do caso do Banco Julius Baer, onde nós nos envolvemos em um grande caso legal em San Francisco… em um lado estávamos nós, e no outro o grande banco privado suiço Julius Baer, que estava tentando nos fechar. E nós vencemos. E custamos a ele a abertura de capital nos Estados Unidos. Isso mesmo que nos mandou um sinal de que existia no mundo espaço para publicarmos coisas como no WikiLeaks.

Eric Schmidt se declarou simpatizante do WikiLeaks e questionou Assange sobre as consequências positivas dos vazamentos feitos pelo site.

JA: o mais significativo parece ser a primavera árabe.
Jared Cohen: Você está dizendo que o WikiLeaks estava lá…
JA: Bem, a Anistia Internacional disse em seu relato mais tecente e professores tunisianos também, porque meu envolvimento direto seria improvável para mim dizer que foi direto, e eu não estou certo que foi direto. Mas estou certo que afetamos. E estamos profundamente envolvidos nisso.
Eric Schmidt: Influenciaram.
JA: Tenho certeza que influenciamos. E isso… isso é ótimo, um grande momento. Algo que tenho certeza que mudamos foi a eleição no Quênia em 2007. Tiveram muitos ministros cujos escalpos foram tomados e as pessoas foram forçadas a renunciar. Estas são ações concretas e claras e você pode argumentas que foram positivas se não gostar dos caras, mas pode falar que foram negativas se gostarem, então eu prefiro não mencionar isso.

Eles também discutiram as relativas similaridades entre WikiLeaks e o YouTube por exemplo. No WikiLeaks, qualquer pessoa pode mandar os documentos, eles são publicados e apenas depois são conferidos. No YouTube é a mesma coisa: os vídeos são enviados e a comunidade de usuários afirma se eles possuem conteúdo impróprio, por exemplo.

Assange também disse que não se importaria de publicar documentos relacionados ao Google – ele cita especificamente os pedidos de dados de usuários feitos a partir do Ato Patriota dos Estados Unidos. Schmidt diz que não é a favor do ato por achá-lo pouco transparente, mas sabe que jamais poderá divulgar esses dados por ser ilegal.

A longa conversa entre os dois pode ser lida aqui (em inglês).[WikiLeaks via CNET]