Ontem à noite a Motorola aumentou a sua família de celulares, com um modelo obrigatório de dois chips, outro com TV, e o MB502, vulgo Charm, vulgo FlipOut que não dobra, mais um para a gigante família de Androids da marca. Vamos falar detalhadamente sobre todos logo mais. Porque o assunto da noite era o anúncio da não-atualização dos celulares da empresa para novas versões do Android. Mais especificamente a digievolução do Motorola Milestone para Android 2.2. Os executivos da empresa no Brasil parecem ter ouvido a revolta e estão agora "reconsiderando" a atualização. E apresentaram os seus motivos. Hoje, o resultado surgiu em forma de um comunicado oficial da empresa.

Conversamos longamente com executivos da Motorola, em particular os gerentes de produtos móveis da empresa no Brasil, Alexandre Giarola e Renato Arradi. Por longamente leia algumas horas. Não imaginávamos que a resposta para "Por que não atualizar o Milestone latino-americano para Android 2.2?" passaria por tantas voltas. "Pegou muito mal", comentei. 

Mostrei os comentários no Gizmodo, a repercussão do Twitter do "#motofail", falei um pouco como usuário de Milestone que sou. Foi uma conversa bem honesta. Eles já tinham percebido a publicidade negativa e não imaginavam que uma não-atualização que não seria crítica causaria tanto barulho. Basicamente porque, pelas informações deles, menos de 10% dos usuários de Milestone no Brasil fizeram a atualização de Android 2.0 para Android 2.1. Então um subsequente upgrade não seria importante para tanta gente assim, pensaram cartesianamente. Porém, o efeito negativo criado não envolveu apenas usuários do Milestone, mas sim todas as pessoas que acompanham notícias de tecnologia e sabem da existência do Froyo. 

Eis que hoje, a Motorola solta um comunicado oficial sobre o assunto, talvez influenciados por três horas de uma boa conversa sobre (mas lembre-se, isso não significa que o aparelho será atualizado, apenas que a Motorola percebeu como a atualização pode ser importante):

Em respeito aos usuários do Milestone e levando em conta a grande demanda demonstrada nos últimos dias pelo upgrade para o Android 2.2, a Motorola informa que está trabalhando junto aos seus parceiros para reavaliar os planos de atualização para este produto. Voltaremos com novidades em breve.

"Mas não custa nada", você deve pensar. Custa, já que, ao que consta, a nova versão tem que funcionar em todas as operadoras, e ela precisa ser testada e homologada por cada. E ela é preparada lá fora, então é preciso convencer internamente a Motorola sobre custos e lucratividade do negócio. A atualização de um produto é embutido no custo do aparelho, e o Milestone daqui já era vendido a um preço bastante agressivo.

Mas será que custa mesmo? E o simplificado modelo do iTunes, onde uma atualização radical de SO pode ser feita em todos os países do mundo ao mesmo tempo? É testado em todas as operadoras antes? "Não trabalhamos com o modelo da Apple". Segundo a Motorola, fazer a atualização em apenas um aparelho, como no caso do iPhone, é muito mais prático e simples.

Pensando pelo lado da Motorola, há algo que nós devemos levar em conta: essa questão de firmware, de atualizações, e de como elas podem ser importantes para reviver um aparelho considerado velho é algo muito recente. Há menos de um ano nenhum de nós sabia o quão necessário seria uma atualização de Android. O salto da versão 2.1 para a 2.2 não é das mais sensíveis, são poucos detalhes corrigidos. Porém, a sensação de estar "parado no tempo" existe. E as empresas terão de aprender a lidar com os usuários de Android, cada vez mais sedentos pela última atualização, e que facilmente se frustrarão por não encontrarem o que procuram nos aparelhos. Cabe a Motorola, e a todas as outras empresas que investiram e investirão no Android por aqui e pelo mundo, entender o grau de importância que uma simples, mas bem-vinda, atualização tem agora.