É como diz o velho ditado, importante é a beleza interior. E é exatamente isso que a GoPro tenta vender com sua nova câmera topo de linha, a Hero6. Fisicamente, ela é idêntica a Hero5 Black do ano passado, e isso não é algo ruim. Mas, por dentro, ela é muito mais poderosa.

Para começar, é a primeira vez que a GoPro desenvolve e usa o seu próprio processador, o GP1, e ele parece ser bem poderoso. Inclusive, ele dobra o número de quadros por segundo da Hero5 Black. A nova câmera registra vídeos em 4K e 60 quadros por segundo e 1080p em impressionantes 240 quadros por segundos. Em termos práticos, isso significa que você pode rodar seus vídeos em 4K com 40% da velocidade (se sua edição final estiver a 24 quadros por segundo) e eles se manterão bonitos e suavizados. Mas estou mais interessado na câmera lenta de 10x em 1080p – é possível fazer coisas incríveis com isso. Ela também faz imagens em 2.7K a 120 quadros por segundo, o que significa sólidas imagens em câmera lenta com a possibilidade de estabilizá-las com software adicional durante a edição.

Por falar em estabilidade, a GoPro diz que a Hero6 tem o mais avançado sistema de estabilização de qualquer câmera até então, mas ele ainda é um sistema de estabilização de imagem eletrônico – não é um sistema de estabilização óptico. Estabilização eletrônica geralmente vem ao custo da qualidade da imagem, mas a Hero6 registra em 4K em proporção 4:3 (pense na sua antiga TV de tubo), então, é possível que a imagem se enquadre para estabilizar na proporção padrão 16:9, o que significa que o vídeo não perderia qualidade. Ou, pelo menos, não perderia muita. A GoPro diz que o estabilizador de três eixos da câmera faz uso do acelerômetro e giroscópio para corrigir a estabilidade da imagem. Teremos que testar para saber. Atualmente, a única câmera de ação que usa estabilização de imagem óptica é a Sony Action Cam X3000R, que faz um trabalho incrível de estabilização em vídeo 4K sem perder nada da qualidade. Será impressionante se a Hero6 puder fazer o mesmo.

A GoPro também afirma que a câmera melhorou a performance do alcance dinâmico e em baixas luminosidades. Na verdade, sempre achei o alcance dinâmico das GoPro muito bons, então, estou ansioso para ver se ele se sai ainda melhor em contraluz. As câmeras Hero nunca foram conhecidas por seus registros em baixas luminosidades, por isso esta é definitivamente uma área que pode melhorar. A Hero6 também terá um “Touch Zoom”, o qual, suspeito, resultará na perda da qualidade, mas talvez seja tudo o que você precisa para uma foto o para Instagram. A câmera também terá modos de foto RAW e HDR.

Além disso, a nova câmera promete velocidades mais rápidas de transferência sem fio por frequências 5GHz, que serão um grande fator para o Quik, app da GoPro, gerar edições automáticas. A GoPro afirma que a função Quik Stories usará “aprendizado da máquina e visão computacional” graças ao chip GP1, além também de dados de um sensor mais avançado, que selecionam os melhores trechos dos seus vídeos. Eu usei o Quik Stories quando ele foi lançado no início do ano, e descobri que ele era problemático na hora de selecionar os melhores trechos dos meus vídeos. Se melhorarem isso, será um grande avanço.

A Hero6 se parece muito com a Hero5 Black – ainda à prova d’água até 10 metros sem a case protetora, a brilhante tela de toque na traseira, controles por comandos de voz e compatível com um monte de acessórios. Ela está disponível a partir de hoje por R$ 2.499 no site da empresa e em lojas selecionadas de todo o mundo.

A Hero5 tem sido a minha câmera de ação preferida, então não estou bravo que a Hero 6 parece ser, essencialmente, a mesma câmera com um pouco mais de potência.

Fusion

Tivemos também atualizações de outros produtos da GoPro. Para começar, a Fusion, a primeira câmera de lente esférica 360º da GoPro, está finalmente chegando ao mercado porU$ 700. Ela já está disponível para pré-venda, mas será disponibilizada apenas em novembro.

Para aqueles que não a conhecem, a Fusion é uma câmera de lente dupla que automaticamente costura as extremidades de duas imagens para criar uma fotografia esférica que pode ser vista com headsets de realidade virtual, ou com um mouse em navegadores, ou em smartphones, mais ou menos como uma versão pessoal do Google Street View. Já existem diversas versões de alta e baixa qualidade deste tipo de câmera no mercado, mas este será o primeiro modelo da marca de câmeras de ação mais conhecida do mundo.

A Fusion é basicamente um quadrado achatado de mais ou menos três polegadas de altura, três polegadas de largura e uma polegada de comprimento. Ela não parece ser muito aerodinâmica (ou, mais importante, hidrodinâmica), mas pelo que vi até então, ela registra imagens em alta qualidade. É leve o bastante para ser manuseada com facilidade (além de ter uma sólida estabilização de imagens), e funciona com praticamente qualquer acessório da GoPro, o que significa que ela pode ser acoplada a uma variedade de objetos e meios de transporte. Ela grava em áudio 360º e faz um ótimo trabalho ao costurar as extremidades das imagens sem deixar trechos borrados.

Já sabíamos que ela seria à prova d’água, mas agora temos um número para isso: até 5 m. O que é um pouco decepcionante. Eu geralmente vou mais fundo que isso quando pratico mergulho, e me preocupo como ela vai se comportar quando for atingida por uma grande onda durante a prática de surf. Mesmo que ela não afunde mais do que 5 m, uma onda pode aplicar muita pressão sobre a câmera.

Ela registra vídeos em resolução 5.2K a 30 quadros por segundo e registra imagens esféricas em 18MP. Ela tem controle por voz, GPS, acelerômetro, giroscópio, bússola, Wi-Fi, Bluetooth e receberá acessórios extras. O Shorty (abaixo, à direita) é um mastro extensível que pode ser guardado no bolso e ainda se transforma em um tripé. O Bite, dedicado aos surfistas, prende a câmera na ponta de uma prancha de surf, e sua base de borracha permite que ela seja retirada com facilidade, sendo possível registrar rápidas imagens em primeira pessoa.

A Fusion tem uma nova função chamada OverCapture, que, basicamente, faz o registro de vídeos esféricos que podem ser editados em quadros de 1080p. Nessa edição é possível até fazer efeitos bullet-time. A câmera também tem o modo Angel View, que corta o mastro de suporte da edição final, fazendo parecer que a câmera está flutuando. Ela tem também o modo Tiny Planet, que cria uma pequena esfera em 360º de toda a perspectiva das lentes.

No evento da GoPro de hoje, vimos um skatista criar um vídeo dele mesmo apenas colocando a Fusion no meio de uma piscina vazia e passando por volta da câmera com o skate. Depois, ele pode fazer um vídeo onde a câmera o segue perfeitamente. Aparentemente, será possível fazer tudo isso diretamente do app para celulares, mas ele não será disponibilizado até o início do ano que vem.

Karma

O drone Karma da GoPro também recebeu algumas atualizações. Ele (finalmente) terá o modo Follow, que segue o controle remoto por GPS (em contraste, os drones da DJI usam da visão para o mesmo modo), e o modo Watch, que manterá o drone no lugar, mas caminhará de lado para te seguir (de novo, por GPS). Ter de manter o controle com você não é muito ideal (é um problema, inclusive), mas é melhor do que não ter modo Follow nenhum. Veremos como ele funciona.

A GoPro vende o drone Karma e a Hero6 juntos por U$ 1.200. No Brasil, apenas a Hero6 está disponível.

Bret Rose é um escritor freelancer, ator e filmmaker, atualmente viajando pelos EU vivendo em uma van com tecnologia de ponta e buscando histórias para contar. Siga suas aventuras no InstagramTwitterFacebook, e no ConnectedStates.com.