Parecia que 2014 seria o ano dos apps anônimos. E, em certa parte, foi: lá fora vários aplicativos, como Whisper, Yik Yak e FireChat, chamaram a atenção em contextos e momentos diferentes, e o Secret, lançado em fevereiro nos EUA, desembarcou no Brasil, virou polêmica e acabou como o app mais popular do ano, segundo as pesquisas do Google. Agora em baixa, agora ele ganhou uma nova versão com foco em texto para voltar aos holofotes. Funcionará?

O reformulado Secret é bem diferente. Digo, em relação ao Secreto “1.0”, já que a nova versão lembra muito, muito mesmo, o Yik Yak, outro desses apps que no Brasil não chegou a viralizar, mas segue bastante popular no exterior.

A nova versão tem duas colunas, uma com posts novos, outra com os mais populares. Os posts estão mais textuais e ocupam menos espaço. Imagens ainda podem ser associadas a eles, mas ficam escondidas num canto e são reveladas ao serem pressionadas, como no Snapchat.

O novo Secret “rachou” a segmentação dos posts. Eles são divididos em dois tipos, ou duas áreas: uma para amigos (que exige a confirmação do número do telefone), outra para a localização. Na versão antiga, esses dois critérios eram misturados aleatoriamente no feed.

As mecânicas básicas seguem intactas, ou seja, você pode curtir (e aumentar seus “pontos de amor” por isso) e comentar os posts dos outros. A novidade, e uma fonte potencial de dor de cabeça, são os chats. Com dois toques, pode-se iniciar uma conversa com qualquer um que comente em um post. Ela é anônima, obviamente, e segundo o The Verge some se ficar um dia inativa, ou seja, se nenhum dos dois falar alguma coisa. Na prática o Secret resolve uma limitação que os usuários se viraram para contornar com gambiarras na versão anterior, criando e-mails temporários ou apelando para o Anonyfish, um cliente de bate-papo anônimo criado para suprir essa lacuna do app.

O Secret tem enfrentado dificuldades para manter-se relevante. Há algumas semanas, uma longa reportagem do Gigaom explorou a queda abrupta do interesse pelo app. A nova versão pode reverter essa tendência, mas o que provavelmente sustentará o app, financeiramente falando, é a versão corporativa. Ela é usada por mais de dois mil funcionários de empresas como Google e Facebook, e embora seja gratuita no momento, tem o potencial para virar uma boa e garantida fonte de renda.

O renovado Secret está disponível para Android e iPhone. No Brasil, o app segue fora da loja de apps da Apple. [Secret]