Uma gangue de sujeitos europeus acabaram de ir pra prisão depois de tentar roubar 300 milhões de dólares no que teria sido um dos maiores roubos tecnológicos da história. O que os deteve? Uma série extraordinária de decisões incrivelmente imbecis.

O que se segue é uma versão da excelente – porém muito menos imparcial – história do BBC News:

Passo 1: dois hackers belgas chegam no balcão de recepção do banco Sumitomo Mitsui em Londres em 16 de setembro de 2006 e pediram pra falar com o chefe de segurança do banco, um tal Sr. O’Donoghue. ERRO: eles foram filmados em uma câmera de circuito fechado, não só conversando mas também brincando em torno do O’Donoghue, que até os levou a um maldito terminal seguro.

Passo 2: os pretensos hackers usaram uma chave USB para registrar as teclas digitadas naquele terminal e eles mesmos voltaram para recuperar as teclas registradas – nomes de usuários e senhas de funcionários. ERRO: eles precisavam voltar pessoalmente. O’Donoghue decidiu cobrir os rastros dos belgas ao cortar os fios das câmeras de circuito fechado e até “solicitou a criação de insígnias extras de acesso”.

Passo 3: na sexta-feira, 1º de outubro, eles apareceram e usaram os logins para tentar 10 transferências de dinheiro para contas na Espanha, Dubai, Hong Kong, Turquia e Israel. ERRO: eles não sabiam direito como preencher formulários de transferência, então elas acabaram não passando. (Além disso, eles escolheram países que pareciam locais de filmes de James Bond, além de escolherem um alvo – o grupo Nomura Holdings – que parecia a empresa que Hans Gruber tentou roubar em Duro de Matar.)

Passo 4: ao fracassarem, eles tentaram de novo no sábado. ERRO: eles tentaram de novo no sábado.

Passo 5: na segunda-feira, quando os gerentes do banco notaram aproximadamente 320 milhões de dólares em transferências bancárias fracassadas, eles alertaram as autoridades, que rapidamente chegaram – sim, você adivinhou – ao Chefe de Segurança O’Donoghue. ERRO: O’Donoghue nunca deveria ter voltado ao trabalho. Além disso, 320 milhões de dólares? Eles não conhecem o lance de arredondar pra cima os centavos?

Apesar do caso contra O’Donoghue e os belgas parecer aberto e fechado ao mesmo tempo, tem muito mais neste conto, inclusive um garboso “Lord of the Manor de estilo próprio” chamado Hugh Rodley, um dono de sex shop para lavagem de dinheiro chamado David Nash e uma misteriosa dama sueca chamada Inger Britt Marie Malmros. Não, não estou inventando nada disto.

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