Parece que a Intel tem uma carta na manga. A empresa que fabrica os processadores para a maioria dos computadores projetou um par de óculos que pode ser capaz de fazer aquilo que o Google Glass não conseguiu – e que a Magic Leap quer desesperadamente. A companhia produziu um par de “óculos inteligentes” que se parecem com algo que você usaria sem problemas.

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Bem, não necessariamente em público: os óculos Vaunt, da Intel, se parecem mais com os óculos de proteção que as pessoas usam ao redor de maquinário pesado e menos com as lentes corretivas como as que eu estou usando agora. Porém, eles disparam lasers nos seus olhos para entregar informações – o Google precisava de uma lente gigante, e o Magic Eye, de um par de óculos. Embora seja algo extremamente animador, depois de ler a matéria do The Verge sobre o Intel Vaunt, eu não sei se ele faz o suficiente.

Vamos ser claros: eu quero um computador que filtre informação direto para os meus olhos. Eu quero olhar para um restaurante e saber se a comida será boa, ou dar um aperto de mão e saber o nome da pessoa imediatamente. Quero saber quem está me ligando com uma única olhada pro lado e checar o meu Twitter com uma revirada de olhos. Eu sou a idiota extremamente animada com o futuro cyberpunk, mas não quero que as pessoas estraguem tudo de novo, porque o Google Glass mandou tão mal que fez com que o mercado de interfaces HUD pessoais se atrasasse pelo menos meia década ou mais.

O método da Intel parece ser bem conservador. Em vez de um display colorido de realidade aumentada, os óculos Vaunt projetam uma luz avermelhada no seu olho utilizando um laser díodo de emissão vertical – do mesmo tipo encontrado nas impressoras, mouses e no projetor de pontos do iPhone X. De acordo com a Intel, a versão que eles usam tem poder reduzido para causar zero dano à retina.

O que é ótimo, porque você não quer arriscar ficar cego por um punhadinho de dados que os óculos vão te oferecer. O acessório mostra notificações que costumamos receber em smartwatches ou na tela de bloqueio dos smartphones. Aqui está uma captura de tela do vídeo do Verge que dá uma ideia de como é usar a coisa:

Isso seria uma imagem “pintada” a laser em sua retina, ao lado é como você veria o texto. (Captura de Tela: YouTube/The Verge)

Isso não é o nível de realidade aumentada da Magic Leap – não chega nem perto do nível de realidade aumentada dos smartphones. É algo mais parecido com aquilo que a Pontiac lançou em alguns dos seus carros há mais de uma década. Mas pelo fato de ser tão simples, a Intel consegue colocar a tecnologia numa carcaça menor. Então, se você usar os óculos Vaunt, a maioria das pessoas não perceberia que você tem uma HUB embutida na tua cara.

Esse é o primeiro passo essencial da adoção desse tipo de interface. Apesar de coisas como aquelas que vemos na série Altered Carbon, da Netflix, ninguém quer parecer um nerdão enquanto interage com computadores invisíveis. Mas o conservadorismo da Intel pode prejudicá-la se algo como o Magic Leap ganhar fôlego.

A tela monocromática de baixa resolução (400×150 pixels) do produto pode desaparecer quando não estiver sendo utilizada e não exige nenhum tipo de ajuste para pessoas com problemas de visão. E ela não consegue puxar nenhum outro tipo de dado além daquele que o seu smartphone envia para ela. Ou seja, ela não é capaz de fazer uma leitura do mundo e se ajustar de acordo. Você não conseguirá olhar para um prato de comida e fazer com que os óculos identifiquem o tipo de macarrão que está consumindo.

Você nem mesmo conseguirá interagir com os óculos, exceto quando estiver utilizando o seu celular. De acordo com o The Verge, o modo como as pessoas interagem com o produto ainda não está claro. Os modelos de teste atuais disponibilizados para o The Verge tinham um compasso e um acelerômetro incorporados, mas nada além disso.

No entanto, Itai Vonshak, chefe de produtos do Grupo de Novos Dispositivos da Intel, deu um exemplo utilizando os óculos com a Alexa – parecido com os óculos que a Vuzix está mostrando na CES deste ano. Isso sugere que um microfone e um alto-falante podem ser adicionados no futuro.

Mas falar com seus óculos é realmente o futuro da interação com tecnologia vestível? Iremos falar com a Alexa enquanto fazemos um treino na academia ou batemos perna no shopping? Ou usaremos um controle, como sugere o Magic Leap? Ou gestos, com o Hololens, da Microsoft?

O Intel Vault parece nos levar um passo mais perto de HUDs pessoais, mas a maior questão ainda está de pé: como deveríamos interagir com esses computadores do futuro? “Realmente acreditamos que ele não pode ter algum custo social”, disse Vonshak ao The Verge. “Se parece esquisito, parece muito geek, se você precisar ficar tocando e mexendo – então não será para nós, iremos perder.”

Uma pena que Vonshak não explicou como a Intel “ganharia”. O computador pessoal não se tornou comum até a chegada do mouse. Os smartphones não ficaram populares até a Apple surgir com a ferramenta de pinçar para dar zoom. Esses óculos não são o suficiente para desenvolver novas tecnologias – alguém tem que resolver o problema de interação com essa tecnologia, algo que seja o mais natural possível. De acordo com o The Verge, a Intel ainda não sabe como será a interação.

Só podemos esperar que a Intel descubra isso logo. Os óculos Vaunt estarão disponíveis para desenvolvedores ainda neste ano e funcionarão com dispositivos Android e iOS. A única coisa de que potenciais usuários precisarão para comprar um desses é a distância pupilar – quem usa óculos tem essa informação na última receita para óculos, por exemplo. Pessoas com a visão perfeita precisarão visitar um oftalmologista.

[The Verge]

Imagem do topo: Projetor a laser dos óculos Vaunt. (Captura de tela: YouTube/The Verge)