Prepare-se para uma avalanche de notícias, publicidade, promoções, análises e amigos seus usando Lumias. A Nokia, que passou os últimos anos em decadência (tanto comercial e em termos de inovação), está apostando o seu futuro na sua família de Windows Phones. Podemos argumentar que a Nokia se atrasou um pouco e não está lançando aparelhos exatamente baratos por aqui, mas não se engane: o Brasil é parte fundamental da estratégia. Aqui, ela terá uma parceria fortíssima com a Microsoft, que também depende de uma adesão maior para dar uma sacudida em sua estratégia em dispositivos móveis. Vai vingar?

Ontem fomos a uma festa para a imprensa de lançamento dos novos smartphones, para termos mais uma chance de colocar as mãos nos aparelhos e conversar com os executivos antes do lançamento. O segundo momento mais importante do evento (depois desse) foi quando apareceu no telão o chefão da Nokia, o polêmico Stephen Elop, em um breve discurso dirigido aos brasileiros. Ele reafirmou a confiança da marca, em como as operadoras e Microsoft estavam empenhadas no lançamento, que os parceiros estavam em sinergia, aquele papo todo. No final, disse “obrigado”, em PT-BR com sotaque.

Não é mero blablablá. Há tempos não vejo tanta dessa sinergia, nem vontade do departamento de marketing da empresa — a última vez que a Nokia investiu pesado em burburinho assim foi com o N97: a festa para a imprensa teve até transporte por helicóptero da Daslu até um hotel de São Paulo. Não sei o quanto que o negócio surtiu efeito, porque comparado aos concorrentes diretos à época, em 2009 (Milestone e iPhone 3GS), o aparelho perdia feio. Mas divago.

O ponto é que a Nokia está fazendo barulho, e ela tem uma vantagem: parceiros, plural. A Samsung gasta rios de dinheiro com seus comerciais do Note, mas o faz razoavelmente solitária: os coreanos trabalham com uma ou outra operadora para deixar seus aparelhos em destaque nas lojas, mas a força de divulgação do aparelho em si é da fabricante.

Como Elop nota, a Nokia tem uma relação ainda melhor com as operadoras, além de vontade de gastar dinheiro para melhorar a relação. Ao contrário do ótimo HTC Ultimate, os Lumias serão lançados em todas as operadoras ao mesmo tempo. E o melhor: os finlandeseses liberaram a competição de preços. Prepare-se para receber e-mails de todos amanhã, e tuites como esse.

Além das operadoras, o outro gigantesco parceiro da Nokia é a Microsoft, que praticamente não havia investido na divulgação do Windows Phone até agora, e também coloca dinheiro na brincadeira. Dinheiro, marca e produtos. Nas festas do Lumia (a de ontem foi apenas uma das primeiras), sempre há um Kinect para o povo se divertir, a marca do Xbox Live é destacada, e sempre há um totem com o nome “Office” para mostrar que a experiência de abrir documentos do trabalho, que os brasileiros estão tão acostumados, é melhor no Windows Phone. Mas a cereja no bolo da parceria é certamente a distribuição de Xboxes em algumas lojas durante o lançamento. E é uma sacada relativamente barata, e genial. O único lançamento de celular que gera filas no Brasil, mesmo a preços insanos, é o iPhone. Mas um lançamento com festinha, sorteio de aparelhos e ainda Xbox na faixa? Vai gerar barulho.

E quanto aos aparelhos? Já falou-se exaustivamente deles. A R$ 1.600, o Lumia 800 (leia o review do ZTop) não está exatamente barato-matador. Até porque ele não é tão indiscutivelmente sensacional: eu prefiro o Windows Phone como Sistema Operacional, mas o Galaxy S II é em muitos aspectos um aparelho superior, a um preço igual, já que faz quase um ano que ele está aí. E o preço do Lumia deixa ele perigosamente perto do patamar do iPhone 4S e do Galaxy Note, especialmente dentro de planos com fidelização. Mesmo assim, ele ainda pode vender relativamente bem. Em países que ainda estão no processo inicial de popularização de smartphones, como o Brasil, ele está fazendo sucesso. Durante o Mobile World Congress, Elop disse que o Lumia 800 era o smartphone do segmento “top de linha” mais vendido na Malásia, Tailândia, Índia e Rússia. Por quê? Graças à força da marca. Nós aqui achamos que Nexus e Milestones são termos comuns, mas nas últimas 12 pesquisas Top of Mind, a primeira marca que veio à cabeça do brasileiro comum quando o assunto era celulares foi “Nokia”. Na última, a marca foi a mais lembrada para 44%. O pessoal que está largando agora seus N95s ou saindo dos lanterninhas vão se interessar (isso se não tiveram experiências terríveis com o 5800 ou N97 no meio do caminho). Especialmente quando o aparelho vem com outra marca familiar: o Windows.

Mas o Lumia 800 vem mais para chamar a atenção — ele vai estampar toda a publicidade e estrelar os vídeos que mostrarão do que o Windows 7.5 no smartphone é capaz. Mas ele será todo importado, aliás, e duvido que em grandes quantidades A aposta da Nokia neste primeiro momento está mesmo no Lumia 710, que está abaixo da marca mágica de mil Reais. Ele é bem decente, até porque o Windows Phone roda com fluidez em basicamente qualquer hardware. Além do preço, ele tem outros pontos fortes para se dar bem nas vendas. Você pode achar bobagem, mas a coisa das capinhas traseiras trocáveis é algo bem valorizado no Brasil, que curte a personalização light que não dá trabalho. O Nokia Dirigir e o Nokia Música também agregarão valor em comparação ao Omnia W da Samsung, que apesar de ter chegado sem muito barulho, é, em diversas métricas (como tempo de bateria ou mesmo câmera), até melhor que o Nokia.

Mas meia dúzia de reclamações a parte, tanto o 710 quanto o 800 são aparelhos muito bons. Há alguns smartphones muito bons à venda no Brasil, mas eles não trazem tanto o fator novidade quanto a família de Lumia. E novidade + Nokia + Microsoft + muito marketing = sucesso. No Brasil, ao menos, essa equação parece fazer bastante sentido, e é o que os engravatados estão apostando.