No último ano, o PayPal se envolveu em polêmicas por impedir usuários de acessar o dinheiro de suas contas. Isso afetou desde campanhas de crowdfunding a doações para um paciente de câncer.

Mas agora, as posições se inverteram, ou quase: alguém fraudou o cartão de crédito de David Marcus, presidente do PayPal, e saiu comprando de tudo por aí.

Marcus tuitou sobre o problema, dizendo que os dados provavelmente foram roubados durante sua recente visita ao Reino Unido. O cartão tinha um chip EMV, que deveria ser mais seguro do que a tarja magnética usada na maioria dos cartões de crédito dos EUA. Porém Marcus reconhece que “mais provavelmente a tarja magnética foi clonada, não o chip”.

Claro que Marcus aproveitou a oportunidade para lembrar que o PayPal adota fortes medidas de segurança – mas, se elas não forem bem estruturadas, também podem ser bem inconvenientes.

Em abril, o britânico Matthew Wright perdeu acesso à sua conta do PayPal: ele recebeu um valor maior que o normal, e isso ativou a proteção contra fraude. Por isso, ele teria que fechar a conta para ser reembolsado depois de 180 dias. Após o caso aparecer no jornal The Independent, o PayPal voltou atrás e restaurou o acesso à conta.

Em agosto, o neozelandês Justin Crockett coletou doações via PayPal para pagar a quimoterapia – ele tem um tumor no cérebro. Após receber uma doação generosa, ele teve uma surpresa ruim: sua conta foi congelada. Crockett entrou em contato com a empresa, mas só após um jornal cobrir o caso, a empresa devolveu o dinheiro.

Também em agosto, o PayPal congelou os fundos da GlassUp, pequena empresa que arrecadava fundos para seu novo produto – óculos de realidade aumentada – via Indiegogo. Depois que o caso chamou a atenção da mídia, o PayPal voltou atrás.

Mas a situação se repetiu. Em setembro, outra campanha do Indiegogo – desta vez para o cliente de e-mail Mailpile – viu sua conta no PayPal ser congelada. Novamente, após o caso virar notícia, a empresa devolveu acesso ao dinheiro.

Quatro dias depois, mais outro problema: desta vez, a vítima foi a campanha no Kickstarter para criar o jogo “Dreamfall Chapters”. A Forbes chamou atenção para o caso, e o PayPal voltou atrás. A empresa diz que “ainda está trabalhando no nosso processo para melhor atender às necessidades de empresas de crowdfunding, enquanto respeita as leis e regulamentos em todo o mundo”.

Apesar desses problemas, o PayPal segue como uma das maiores empresas de pagamentos no mundo, desafiada por gigantes como Visa, Google (e talvez Apple). Será que o ocorrido fará David Marcus ficar de olho nos inconvenientes do seu próprio serviço? [USA Today via Engadget]