A proposta de orçamento para 2019 do presidente Donald Trump encerraria o suporte para o Wide Field Infrared Survey Telescope (WFIRST, ou Telescópio para Pesquisa com Infravermelho em Campo Amplo, em tradução livre), e os cientistas não estão muito contentes com isso.

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Os objetivos do telescópio WFIRST incluem mapear o universo para melhor entender a matéria escura e energia escura e até criar a imagem de exoplanetas. Em 2010, a missão foi uma das principais prioridades no que seria pesquisado durante a década em astronomia e astrofísica pelo National Research Council. O presidente quer cortar o apoio financeiro ao telescópio e outros programas como parte do projeto que visa focar em exploração espacial, disse Andrew Hunter, CFO da NASA, em um comunicado. Muitos astrônomos com que falei acreditam que encerrar o projeto causaria consequências no papel dos EUA na astronomia.

“A ciência que o projeto planeja fazer é transformativa”, disse Alistair Walker, cientistas da Dark Energy Camera Instrument, ao Gizmodo. “Então acredito que seria um grande retrocesso caso ele não seja continuado. Ele era um projeto de alta prioridade e possivelmente estaria na mais alta prioridade na pesquisa da próxima década”.

O WFIRST teria um espelho do mesmo tamanho que o Hubble, mas um campo de visão cerca de 100 vezes maior, de acordo com a página da NASA. Isso significa que ele seria especialmente bom em produzir grandes e detalhadas imagens para estudos populacionais e pesquisar muitos planetas, estrelas, e galáxias ao mesmo tempo. Um de seus dois instrumentos foi feito para criar a imagem de exoplanetas.

O telescópio já passava por alguns problemas orçamentais. Conforme reportou a Nature no início deste ano, o custo do projeto foi de US$ 1,6 bilhão para US$ 3,2 bilhões. Mas a astrofísica Katie Mack me disse que muito do caso científico do telescópio se enquadrava no grande espelho entregue aos cientistas da NASA pelo governo americano (mais especificamente, o National Reconnaissance Office, os construtores do satélite espião).

O documento orçamentário explica que o governo continuará a financiar o telescópio James Webb Space, que deve ser lançado em 2019. “Este é um problema de custo e tamanho em relação ao custo significativo dessa missão e a necessidade de financiar missões com prioridades mais altas”, diz Hunter. “Teremos astrofísicos de baixo custo sendo financiados com os dólares restantes”.

Mack se mostrou preocupada com o impacto geral que isso causará no campo de astronomia. Ela me disse:

É uma missão que esperamos há anos, porque ela nos ajudará a entender melhor a matéria escura e a energia escura, além de nos ajudar a aprender sobre os planetas ao redor de outras estrelas – algumas das coisas que identificamos como as questões mais importantes. Cortar de repente o orçamento do WFIRST para zero não apenas nos desapontaria, como também negaria anos e anos de planejamento, e retroativamente gastaria uma enorme quantidade de energia (e, obviamente, o dinheiro do contribuinte). Se a NASA vai investir em ciência, ela deveria pelo menos levar em consideração o que os cientistas consideram as questões mais importantes.

O The New York Times reporta que “os orçamentos presidenciais são apenas declarações de visão mesmo sob circunstâncias normais, visto que o Congresso controla o bolso da federação e pode desconsiderar os desejos de seja lá quem estiver no comando do Salão Oval”.

Ainda assim, esse orçamento sinaliza que os ideias do presidente incluem cortar o financiamento do governo americano para a Estação Espacial Internacional em 2025, cortar o orçamento para o WFIRST, e redirecionar o financiamento da NASA para fins educativos. Posicionar os EUA como um líder no espaço não é uma prioridade.

McGaugh diz: “O que estamos perdendo é um senso de liderança nacional na exploração espacial”.

Imagem de topo: renderização do WFIRST (Créditos: NASA)