Quatro anos depois de seis espécimes serem descobertas na Argentina, cientistas finalmente deram um nome para o que agora é considerado o maior animal que já passou pela Terra. Diga olá para Patagotitan Mayorum – um dinossauro da era cretácea que pesava quase 70 toneladas.

Antes de entrar nos detalhes do novo estudo, publicado esta semana na Royal Society B, vamos rapidamente examinar o quão impossivelmente grande esse titanossauro realmente era.

O peso médio desses gigantes era 76 toneladas, quase o peso de um ônibus espacial ou 10 elefantes africanos. Um típico Patagotitan Mayorum media cerca de 37 metros. O topo de seu ombro atingia 6 metros.

Os pesquisadores apresentaram esses números depois de analisar seis espécimes e mais de 160 fósseis individuais, todos encontrados na mesma pedreira. O dinossauro recentemente descrito foi batizado por causa da região da Patagônia em que os ossos foram descobertos, a palavra grega titã (não precisa de tradução) e Mayo, que é o nome da família que hospedou os pesquisadores durante as escavações.

Esqueleto reconstruído e silhueta do corpo do Patagotitan mayorum mostrando elementos preservados dos seis espécimes. (Imagem: J. L. Carballido et al., 2017)

Então, eles eram ridiculamente enormes, e sua existência está reajustando nossas noções sobre o tamanho que os titanossauros saurópodes – um grupo diversificado e altamente bem-sucedido de dinossauros herbívoros de quatro patas – realmente atingiram. A descoberta do Patagotitan Mayorum derrubou outra espécie de titanossauro, o Argentinosaurus, para o segundo lugar na lista de maiores animais terrestres de todos os tempos. As baleias azuis, que podem pesar até 180 toneladas, ainda são os maiores animais que se sabe terem aparecido na Terra, passado ou presente. Mas, ao contrário de P. mayorum e outros titanossauros, as baleias azuis não precisam ficar sobre quatro patas.

Não precisamos dizer que, no entanto, essas criaturas não eram rápidas ou nem ferozes. Provavelmente eles vagavam por aí procurando o que deve ter sido um estoque infinito de folhagem. E de fato os pesquisadores que conduziram a análise, uma equipe liderada por Diego Pol do museu de paleontologia Egidio Feruglio na Argentina, atribuem a enormidade desse dinossauro (ou tendência ao “gigantismo”, em suas palavras) à enorme abundância de plantas florescentes que estavam disponíveis há 100 milhões de anos.

Curiosamente, Pol suspeita que P. Mayorum estava atingindo um limite em termos de quão grandes animais terrestres poderiam ser. “Todos na disputa para as maiores espécies de dinossauro tinham um tamanho similar, dentro de uma diferença de 10 a 15%”, el disse ao National Geographic. “Isso sugere que estamos nos aproximando do tamanho máximo possível para um animal terrestre, que era desconhecido até recentemente, e é uma descoberta empolgante”.

Crânio de titanossauro disposto no AMNH. (Imagem: Flickr)

Como nota final, uma réplica do esqueleto deste dinossauro está exposta no Museu Americano de História Natural desde 2016. Localizado no quarto andar, o pescoço e a cabeça do titanossauro se estendem até os elevadores, dando boas-vindas aos visitantes ao “piso do dinossauro”.

[Proceedings of the Royal Society B]

Imagem: réplica do novo dinossauro descoberto / AP