Anunciado na CES 2017, o Samsung Odyssey é a primeira tentativa da companhia sul-coreana no mercado de notebooks gamers. O modelo não é tão parrudo quanto os da linha Alienware, por exemplo. O objetivo, no entanto, nem é conquistar a galera mais fanática, mas atrair a fatia dos usuários que querem jogar os últimos lançamentos que não exigem desempenho máximo. Eu testei o notebook durante algumas semanas, e aqui estão as minhas impressões.

O que é

Um notebook gamer com tela Full HD de 15,6 polegadas, teclado retroiluminado em vermelho (layout americano) e tecnologia de ventilação HexaFlow. Vem equipado com processador Intel Core i5 de 7ª geração (Quad Core 45W), placa gráfica NVIDIA GeForce GTX 1050 com 4 GB de memória dedicada, 8GB de RAM (expansível até 32GB) e HD com 1 TB de 5.400 RPM. Há também uma versão com as mesmas especificações, mas com processador Intel Core i7 (Quad Core 45W), que foi a que testei.

Ele roda o Windows 10 Home e na parte de conectividade possui três USB-A (duas 2.0 e uma 3.0), saída de vídeo HDMI, plug para fone de ouvido de 3,5 mm e leitor de cartão SD – além do plugue para o carregador. Wi-Fi 802.11 ac e Bluetooth 4.1 completam as especificações. São 2,5 kg em 2,82 centímetros de espessura.

O modelo com processador Core i5 custa R$ 4.999,00. A versão mais potente sai por R$ 5.499,00.

Usando

Fazia um tempo que eu não jogava no computador, apesar de gostar bastante da plataforma. Na verdade, eu sempre jogo, mas principalmente coisas mais casuais. A primeira coisa que fiz foi logar nas minhas contas da Origin e da Steam para ir baixando os games, sabia que isso ia levar um tempo. Aproveitei para ir instalando também os softwares que uso para trabalhar. A ideia era ver como o Odyssey se sairia em um uso intenso de trabalho e diversão pós-expediente.

A fonte é muito grande, pesada e nada portátil

E a primeira coisa que eu reparei é que eu não poderia me desgrudar da fonte do notebook. A bateria dele é bem fraca, o que é bem decepcionante. E nem estou falando da autonomia com jogos rodando, já tinha noção de que isso não seria muito possível, fora que o desempenho cai nesse cenário. A duração da bateria dele é ruim até para as tarefas mais simples, como navegar; não consegui passar mais de duas horas e meia com o computador longe da tomada. E olha que eu nem estava com tanta coisa aberta: no navegador, usei o WhatsApp Web, Slack, Trello e o meu editor de textos – além de três abas de notícias e outras coisas que iam rodando, como email e Facebook; abri também o Spotify pra curtir um som e o TweetDeck.

Com ele na tomada, comecei a trabalhar. O teclado é estilo chiclete e praticamente igual ao do Samsung Style 2 em 1. A diferença é que, como esse notebook tem tela de 15 polegadas, ele incorpora o teclado numérico, o que acaba mudando ligeiramente a opção das teclas em relação ao trackpad – que sempre fica no centro. É questão de minutos para se acostumar. Falando em trackpad, a experiência foi bem ok no Odyssey. Ele responde bem, tem suporte aos gestos do Windows, mas é muito pequeno em relação ao tamanho do notebook. O que leva a outro problema: essa moldura torta e iluminada dele – a Samsung deve achar que gamers gostam bastante de luzinhas e coisas brilhantes, mas olha pra isso e repare como é desproporcional em relação ao design do notebook como um todo.

O desempenho no dia a dia é satisfatório, mas é na hora de abrir programas e procurar arquivos que você sente um gargalo ou outro. Isso porque ele não tem SSD, nem aquele pequenininho de 16 GB que armazena o sistema operacional e arquivos mais importantes. Isso acaba afetando o desempenho dos jogos também, mas falaremos desse assunto daqui a pouquinho. O disco rígido tem um problema sério que faz a máquina parecer cansada: quanto mais tempo usa, mais lenta ela vai ficando. Uma hora ou outra é preciso reiniciar e para quem está acostumado com as vantagens do SSD, isso é meio chato.

Jogando

Um dos elementos fundamentais para construir um bom notebook gamer é a tela. O Odyssey mandou bem: não traz nada de espetacular, mas também não deixa a desejar nesse quesito. O display tem resolução Full HD, as cores são vibrantes, existe suporte para tecnologia HDR e o antirreflexo dele ajuda a aproveitar os jogos com cenas mais escuras mesmo em um ambiente que entra bastante iluminação natural.

A Samsung colocou botões para ver o FPS e gravar a tela, substituindo controles de mídia

Como comentei lá no começo, faz um tempo que não jogo pelo computador, mas tenho uma biblioteca razoável e consegui aproveitar alguns títulos que exigem bastante de uma máquina. Todos os jogos estavam nas configurações automáticas, não mexi nessa parte, ajustei só para a resolução nativa no caso dos títulos que não o fizeram.

O primeiro game que eu rodei foi a demo do FIFA 18 – que está longe de exigir configurações parrudas – e ele fluiu bem. O único porém, e que acontece em todos os games, é a demora para iniciar. A culpa é principalmente do HD. Depois eu abri o Battlefield 4, game lançado em 2013, e a experiência foi satisfatória também. Com os gráficos no médio, a taxa de FPS ficou praticamente constante em 60, variando um pouco nas cenas mais intensas, como em explosões. Quando ele estava com os gráficos no alto, cambaleou um pouco mais. E em jogo de tiro, não dá para perder performance em nenhum momento. Ah, foi bem chato esperar as fases carregarem… Demorou bastante.

Parti para dois jogos mais recentes: Star Wars Battlefront, lançado em 2015, e Battlefield 1, de 2016. A experiência em ambos os games foram parecidas: as configurações gráficas estavam no médio, e o FPS era constante na maior parte do tempo, com engasgos eventuais. Tive um desempenho melhor quando testei tudo no baixo. Para finalizar, abri o GTA V, um jogo de mundo aberto. A configuração automática do jogo deixou tudo no alto, e eu praticamente não consegui jogar, com quedas bruscas de FPS. O jeito foi jogar no médio, e as coisas melhoraram um pouco. De vez em quando, no entanto, ainda rolavam umas travadinhas.

Conclusão

As opções para quem procura por notebook gamer não são muitas. Opções baratas, então, nem se fala. A Samsung decidiu entrar nesse mercado oferecendo uma alternativa para as pessoas que não exigem desempenho máximo, e foi uma boa tentativa. É um bom laptop, sim. Mas por um preço bem similar, existe o Dell Inspiron Gamer, com opções que vêm com SSD, 16 GB de RAM e contam com a placa gráfica GTX 1050 Ti, superior à oferecida no Odyssey.

Se a grana tá mais curta ou você realmente quer um produto Samsung, o Odyssey é uma opção razoável, sim. Mas não dá para esperar um grande desempenho, nem querer rodar títulos com gráficos configurados no alto. O negócio é jogar no sapatinho, no low. Ah, e esqueça a bateria – para qualquer tarefa.

Todas as fotos: Alessandro Junior/Gizmodo