O Rio de Janeiro foi o único estado do sudeste do País a ter uma queda no faturamento do comércio online na primeira metade de 2017. Enquanto São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo registraram aumentos de 8%, 6% e 10%, respectivamente, o Rio retraiu em 1%. Inclusive, em todo o País houve um avanço de 7,5% em relação ao mesmo período do ano passado.

A queda se dá, em especial, ao aumento do roubo de cargas, que não afeta mais apenas grandes cargas e varejistas, mas também lojas online. A situação obriga varejistas virtuais a bloquear a entrega dos produtos em determinados CEPs. “É o CEP do inferno”, diz o coronel Venâncio Alves de Moura, segurança do Sindicato das Empresas de Carga e Logística do Rio, em reportagem do Estado de São Paulo. “O custo é muito alto”, explica Moura. “A cada seis caminhões que entram nessas áreas de risco, um é roubado.”

Nesses casos, empresas têm preferido não fazer a entrega ao consumidor, ou informando que não entregam no endereço do CEP selecionado, ou que a compra será entregue na agência dos Correios mais próxima, sendo de responsabilidade do comprador a retirada. Levantamentos do setor de segurança dos Correios determinam, com base em mapas de risco fornecidos por órgãos de segurança pública , quais são as áreas de risco.

Mais roubos, fretes mais caros

Apesar do governo do Rio de Janeiro ter divulgado nesse domingo (27) que o roubo de cargas diminuiu em 50%, o valor do frete de cargas para o estado aumentou em 35% devido aos constantes roubos de caminhões de transporte – segundo o Instituto de Segurança Pública, só no primeiro semestre de 2017 o número de roubos de carga aumentou em 25% em relação ao mesmo período no ano passado.

Fábio Queiroz, presidente da Associação dos Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (Asserj), diz ao R7 que algumas mercadorias podem chegar com valores até 20% maiores quando se leva em conta o custo elevado do transporte. Alimentos como frango, carne bovina e queijo são os favoritos dos criminosos, uma vez que eles são de fácil revenda. “Está uma loucura conseguir frango, por exemplo”, diz Queiroz. “Os supermercados compram, mas não recebem”. Em maio, o Extra reportou como uma empresa de carnes foi obrigada a contratar um carro-forte para fazer os transportes.

O aumento desse tipo de roubo tem, no entanto, movimentado o transporte de cargas em veículos blindados. Usados comumente no transporte de dinheiro, hoje empresas do ramo transportam de smartphones a carnes. Segundo informações do Estado, a Brink’s, transportadora de valores, afirma que houve um aumento de 10% a 15% na busca por transporte de cargas em veículos blindados nos últimos 12 meses no Rio.

[Estado de São PauloR7, Extra]

Imagem do topo: Fotos Públicas/Vladimir Platonow/Agencia Brasil