Essa é mais ou menos a minha letra nas raríssimas vezes que escrevo à mão. Eu culpa a feiúra dela ao fato de ter descoberto que era míope muito tarde, depois que nem os cadernos de caligrafia conseguiam consertar a minha mão – e porque há mais de uma década quase tudo que escrevo sai de um teclado. Quando era moleque, já me perguntava qual era o sentido de aprender a escrever daquela maneira de cima, com letra cursiva, quando tudo que eu lia no papel ou na TV tinha a tal letra "de forma". Em ótima reportagem de hoje hoje, a Folha de S. Paulo mostra que há um movimento para acabar com o ensino da letra desenhada. Culpe a tecnologia. 

O segundo golpe contra a cursiva veio na forma de tecnologia. A disseminação dos computadores contribuiu para que a letra de imprensa, já preponderante, avançasse ainda mais. Manuscrever foi-se tornando um ato cada vez mais raro. (…)

A pedagoga Juliana Storino, que coordena um bem-sucedido programa de alfabetização em Lagoa Santa, na região metropolitana de Belo Horizonte, é ainda mais radical: "Acho que ela [a cursiva] é uma das responsáveis pelo analfabetismo em nosso país. As crianças além de decodificar o código da língua escrita (relação fonema/ grafema) têm também de desenvolver habilidades motoras específicas para "bordar’ as letras. O tempo perdido tanto pelo aluno, como pelo professor com essa prática, aliada ao cansaço muscular, desmotivam o aluno a aprender a ler e muitas vezes emperram o processo".

Sei que gasta-se muito tempo com a parte mecânica da escrita e pouco com o sentido da palavra, das frases, criando essa legião de analfabetos funcionais que se vê Brasil afora. A polêmica questão, com argumentos contra e a favor, estão no artigo da Folha. Vocês acham que daqui a uns 10 anos a molecada vai aprender a digitar diretamente no computador/smartphone ou qualquer coisa assim? Ou a letra cursiva ainda é legal pra você anotar recado que sua mãe não entende? [Folha]