A relação entre Spotify, gravadoras e artistas não é muito amistosa há um bom tempo. Um dos pontos mais divergentes entre o serviço de streaming e as distribuidoras são os benefícios do plano gratuito, que no desktop permite ouvir livremente – apenas com anúncios entre as faixas – e no smartphone fica restrito ao modo aleatório – também com publicidade. No entanto, o Spotify pode ceder à pressão e tornar o plano gratuito mais limitado.

• A política de privacidade do Spotify sobre o sigilo bancário dos usuários não é exatamente nova
• Temer sanciona lei que cobra mais um imposto de Netflix, Spotify e lojas de apps

De acordo com o The Verge, o serviço de streaming está renovando contratos de licenciamento e concordou em restringir os lançamentos aos usuários dos planos pagos. Na prática, isso quer dizer que quem não paga pelo Spotify não poderá escutar alguns dos álbuns novos nas primeiras semanas de seu lançamento.

A nova cláusula beneficia os artistas, gravadoras e, de certa forma, até o Spotify. O serviço paga royalties para cada vez que uma música é tocada, e o valor corresponde à receita gerada por usuário – isso significa que os assinantes rendem muito mais grana. Em troca do volume maior de renda nas primeiras semanas, as gravadoras cobrarão taxas menores.

A alteração desses acordos pode atrair de volta alguns artistas que fecharam exclusividade de lançamentos com os concorrentes, como Apple Music e Tidal. No ano passado, diversos artistas decidiram lançar seus álbuns em apenas uma plataforma e, depois de algumas semanas, liberaram nos demais serviços. O Spotify respondeu escondendo os artistas nas playlists oficiais.

Segundo o Financial Times, os novos contratos valem para grandes gravadoras e ainda estão longe de serem finalizados. No entanto, essa parte do acordo está bem definida. Além da pressão das gravadoras, o Spotify tem um interesse especial em fechar esses acordos de licenciamento: eles devem estrear na bolsa de valores em breve.

[The Verge]

Foto por Björn Olsson/Flickr