Se você já fez algum teste de DNA para checar sua ancestralidade, você provavelmente sabe que os resultados não são exatamente precisos. Às vezes, você obtém resultados completamente diferentes do esperado. E diferentes marcas de testes de DNA podem gerar resultados completamente distintos uns dos outros.

Na quarta-feira (28), porém, a 23andMe anunciou uma atualização em seu serviço que permitirá dar uma visão específica da ancestralidade de seus consumidores. Em vez de dizer que eles são, por exemplo, “escandinavos”, os clientes do teste saberão em que parte específica da Noruega seus ancestrais vieram. Isso porque a empresa adicionou 120 novas regiões geográficas em seus testes. Isso é uma grande atualização, considerando que antes a 23andMe tinha apenas 31 “rótulos” populacionais.

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A atualização ocorreu graças a expansão de pessoas que passaram a usar o teste da 23andMe e passaram a ser usadas como referência — em outras palavras, o conjunto de dados usados pelo algoritmo da 23andMe compara seu DNA para determinar de que parte do mundo você provém.

O crescente número de pessoas que fazem os testes da companhia e que compartilham informações sobre sua herança hereditária também ajudou a calibrar o algoritmo.

Teste que fiz no ano passado

Quando eu fiz o teste da 23andMe no último ano, como parte de uma reportagem para mostrar a precisão desses testes, o resultado foi uma surpresa para mim, pois mostrou que eu era apenas 3% escandinava e 5,5% do Oriente Médio, embora eu esperasse números maiores dessas regiões, baseado na história da minha família. A maioria do meu DNA ficou na categoria “altamente proveniente do Norte da Europa”. Esse número pequeno demonstrado na taxa do meu DNA rolou provavelmente por causa da pequena representação de pessoas na região no banco de dados da companhia.

Meu teste atualizado

Com a atualização, os dados da 23andMe sobre meu teste são mais próximos da minha árvore genealógica. Também passou a ser mais específico. O resultado não só fala que sou escandinava ou do Oriente Médio, mas que tenho raízes norueguesas e da Síria.

“Nós conseguimos fazer isso ao ver combinações exatas de DNA do cliente com mais de 130 mil pessoas de 120 regiões do mundo”, diz a companhia em post em blog oficial. “Se uma pessoa corresponder exatamente com cinco ou mais indivíduos de uma região em específico, a área passa a ser designada como ‘localização recente dos antepassados’. Nós também reportamos que a ‘força’ das correspondências, que é determinado por quanto de DNA um cliente compartilha com pessoas daquela região, foi ajustado para quantas pessoas estão na população de referência.”

A empresa ressalta que também “regravou algumas das populações por precisão e melhor compreensão”, como os iacutos, por exemplo, que agora aparecem como siberianos. A atualização vai ocorrer gradualmente para os consumidores nos próximos meses.

A atualização do teste da 23andMe é um bom exemplo de quão rápido a tecnologia genética está melhorando, e como os avanços tecnológicos e arranjos de dados de DNA dos consumidores podem ajudar a melhorar a precisão. Os resultados do meu teste estão muito mais específicos e parecem ser mais corretos, baseados na história da minha família, comparado com o resultado que tive há alguns meses.

Mas, no meu caso, a porcentagem de Oriente Médio e Escandinávia ainda estava significantemente menor do que eu esperava — o que lembra que eles são bons, mas nem tanto. No fim das contas, esses testes de ascendência são mais precisos para alguns grupos que para outros. E mesmo nos casos de alta precisão, eles só informaram o quão próximo seu DNA se parece com o de outras pessoas do mundo, não exatamente de onde vêm seus ancestrais. Se olharmos bastante para trás, no fim das contas, somos todos relacionados de alguma forma. A grande maioria do nosso DNA é o mesmo.

Seu DNA faz parte de você, mas nunca definirá quem você é.