O Tidal tinha tudo para ser o líder. Um serviço de streaming feito por artistas, para artistas, com áudio de alta fidelidade e um modelo de negócios que dividiria suas receitas com pessoas que realmente fizeram a música. No entanto, de acordo com uma reportagem do norueguês Dagens Næringsliv, o Tidal talvez só tenha grana para sobreviver por mais seis meses.

De acordo com a matéria, o Tidal tem perdido dinheiro constantemente depois de um prejuízo de US$ 368 milhões de coroas norueguesas (cerca de R$ 145 milhões) em 2016. Isso sem contar o prejuízo dos investidores originais – incluindo Jay-Z –, que perderam mais de meio bilhão de coroas norueguesas (quase R$ 200 milhões) desde que compraram o serviço do grupo de mídia Schiibsted, em 2015. Além disso, a americana Sprint investiu US$ 200 milhões (R$ 660 milhões) no começo deste ano.

A reportagem diz ainda que o Tidal espera atingir um patamar de lucratividade até o meio de 2018, e, em comunicado enviado ao Gizmodo, a empresa disse que “lida com histórias negativas sobre o Tidal desde a sua origem e não fizeram nada além de crescer o negócio a cada ano”.

O pessoal do Dagens Næringsliv contesta o número de assinantes do Tidal, que, baseado em relatórios internos encontrados pela reportagem, atinge 1,2 milhão de usuários, bem menos do que os três milhões que a empresa afirmou em janeiro. O DN também cita números da Midia Research que afirmam que o Tidal é responsável por menos que 1% dos 100 milhões de assinantes de serviços de streaming em todo o mundo.

Desde que a loucura do Tidal começou em 2015, a empresa teve uma série de problemas, como a dança das cadeiras na posição do CEO, os US$ 56 milhões supervalorizados que Jay-Z pagou para comprá-lo e queixas dos herdeiros de Prince a respeito de violação de direitos autorais. Não será uma surpresa tão grande se a empresa realmente tiver graves problemas financeiros.

No começo deste ano, quando listamos os grandes serviços de streaming sob o critério do quão ferrados eles estavam, o Tidal aparecia em terceiro lugar. E, se a reportagem do Dagens Næringsliv for certeira, parece que a nossa previsão se cumprirá.

[Dagens Næringsliv]

Imagem do topo: Tidal