Com o início do terceiro ano da guerra civil no Iémen, a sitiada nação do Oriente Médio tem que lidar com os devastadores impactos do conflito, incluindo doenças. Um preocupante relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 500.000 habitantes do país contraíram cólera desde abril deste ano, dos quais 2.000 faleceram. Este é a pior epidemia de cólera no mundo, e uma das maiores em décadas.

A guerra civil irrompeu no Iémen em 2015, um conflito que já tomou a vida de 16.200 indivíduos, incluindo 10.000 civis. Com o país instável, casos de cólera começaram a surgir em outubro de 2016, mas a epidemia intensificou-se em abril deste ano, quando a doença transmitida pela água começou a infectar um estimado de 5.000 pessoas por dia. A cólera agora se espalha como fogo graças a falta de higiene, saneamento básico e interferências no abastecimento de água. Não é coincidência que o surto da doença ganhou força depois de 17 de abril, quando os esgotos de Sana, capital do Iémen, pararam de funcionar.

Milhões de habitantes estão sem água potável e para piorar a situação, a coleta de lixo foi interrompida na maioria das cidades. O sistema de saúde, prestes a entrar em colapso, não consegue lidar com a situação, com mais de metade dos centros de saúde fechados por causa de danos, destruição ou falta de recursos, de acordo com a OMS. O suprimento de remédios também está próximo do fim, e os 30.000 profissionais da saúde do país não recebem há quase um ano.

A maioria dos infectados pela coléra – uma doença causada pela bactéria Vibrio cholerae sorogrupo O1 —  causa leves diarreias ou até mesmo nenhum sintoma. Entretanto, aproximadamente 5 a 10% dos infectados tem sintomas piores, como diarreia líquida abundante, vômito, aceleração dos batimentos cardíacos, baixa pressão sanguínea, sede, entre outros. Sem tratamento, a cólera pode levar a morte. Mais de 99% dos pacientes infectados sobrevivem quando recebem atendimento médico, mas naqueles com causas severas, a fatalidade pode atingir os 50% quando a doença não é trata.

A OMS e parceiros buscam desesperadamente uma solução, abrindo clínicas de tratamento de cólera no Iémen, planejando a reconstrução de centros de saúde e dando suporte ao sistema de saúde do país.

“Para salvar vidas hoje precisamos auxiliar o sistema de saúde, em especial seus trabalhadores. E urgimos as autoridades de Iémen – e todos com um papel na região – que encontrem uma solução política a este conflito que já causou sofrimento demais”, diz o Dr. Tedro Adhanom Ghebreyesus, diretor da OMS. “A população do Iémen não aguentará por muito mais tempo – eles precisam de paz para reconstruir suas vidas e seu país”.

Para aqueles que planejam visitar uma região acometida pela cólera, há uma vacina. Há uma ano, os Estados Unidos aprovou uma vacina oral de dose única para viajantes internacionais – uma novidade para cidadãos americanos. Outros países que possuem epidemias de cólera incluem a República Democrática do Congo, Quênia, Maláui, Moçambique, Nigéria, Somália, Sudão do Sul e Tanzânia. Mas nenhum destes casos chega perto do tamanho do problema no Iémen.

[World Health Organization]