Toda vez que estou no transporte público e noto um pessoal vendo o YouTube, isso me deixa um pouco nervoso, pois com certeza eles estão gastando boa parte dos seus planos de dados — as operadoras agradecem. Agora, porém, a situação deve mudar com a chegada do YouTube Go, novo app que permite baixar vídeos da plataforma do Google e vê-los offline.

Pensado para mercado emergentes, o app começou a funcionar na Índia no ano passado e agora será lançado no Brasil e em mais um monte de países. Por ora, ele está sendo liberado aos poucos na loja de aplicativos do Google. Então, não estranhe se não conseguir baixar agora.

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Antes que alguém pergunte, o app só estará disponível na Play Store. Portanto, usuários de iPhone vão ter que continuar a usar o plano de dados para ver vídeos no YouTube — apesar de também ser possível fazer isso com apps alternativos, como o iMusic BG.

Como funciona?

O Google mostrou para alguns jornalistas o app do YouTube Go durante esta semana. Não tem muito segredo: ele tem uma interface simplificada do YouTube com sugestões baseadas em sua conta do Google e um campo de busca. Lá, você pode procurar o que quiser ver e baixar apenas ao tocar no vídeo.

O bacana é que o app mostra quanto de espaço há no smartphone e três tipos de qualidade: básica, padrão e alta qualidade (720p). Assim, caso seu telefone esteja cheio, você pode optar por uma versão do vídeo que queira baixar com menor qualidade para ocupar menos espaço.

Crédito: YouTube

Segundo Marcella Campos, head de marketing do YouTube Brasil, apps como o YouTube Go têm relação com a missão do Google de “organizar e tornar acessível toda a informação do mundo”. De fato, o app vai permitir ver uma série de conteúdos offline, menos música. De acordo com o YouTube, não existe ainda um acordo no Brasil para permitir o download de clipes musicais.

Aliás, a disponibilidade do que se pode ou não baixar era um pouco uma caixinha de surpresa durante o testes. Em tese, por exemplo, não é permitido fazer download de filmes, porém, durante o rápido contato da reportagem com o app, havia títulos que podiam ser baixados enquanto outros não. Sobre isso, o YouTube diz que é uma questão do detentor do direito — caso um estúdio se sinta incomodado, basta ele notificar a plataforma que o conteúdo será tirado do ar e removido do aparelho da pessoa assim que o dispositivo ficar online.

De qualquer jeito, focando no que realmente importa, o fato é que agora você poderá baixar praticamente todos os vídeos da “Galinha Pintadinha”— o que deve acalmar seus filhos, sobrinhos e enteados durante viagens — e tudo o que não for música.

O app também permite transferir os arquivos baixados em conexão à internet. Tudo é feito via Bluetooth. Para isso, basta acessar o item “Salvos” no YouTube Go, tocar no ícone de celulares e escolher se quer enviar ou receber arquivos.

Crédito: YouTube

Linhas finas

Existem algumas características do app que os usuários devem saber. Por exemplo, o vídeo baixado fica protegido em uma pasta do aparelho (a tecnologia lembra o que acontece com os vídeos offline do Netflix). Mesmo offline, serão exibidas propagandas armazenadas em cache e não será possível fazer transmissão do vídeo offline para TVs com internet ou com Chromecast.

Também chama a atenção o fato de o app não ser “integrado” ao aplicativo principal do YouTube. Imagine que você esteja no YouTube convencional e goste de um vídeo. Para baixá-lo, você deve ir ao YouTube Go, procurar na sua lista de vídeos recentemente vistos ou realizar uma nova busca e fazer o download.

Temos ainda um #firstworldproblems que pode afetar você ou seus amigos endinheirados. Existe no YouTube Go uma limitação geográfica. Então, se você for para um país em que o app ou um vídeo não esteja disponível, não conseguirá rodar os vídeos baixados — se o vídeo for muito importante, seja esperto e não saia do modo avião.

A iniciativa do Google é bem boa e deve ajudar bastante a galera que curte ver uns vídeos no transporte público ou na espera de alguma consulta médica. Lógico, já existem apps que fazem isso — que, inclusive permitem rodar o YouTube em segundo plano e exibem um monte de propagandas —, mas ter um oficial, neste caso, é uma mão na roda.

Foto do topo por Pixabay