A Terra registrou o quarto ano mais quente da história humana em 2018, e é quase certo que 2019 será ainda pior. A conclusão foi feita a partir de uma nova análise do grupo independente de cientistas Berkeley Earth.

O documento mostra que o planeta está 0,77 ºC mais quente do que a média entre 1951-1980, data parâmetro também utilizada pela NASA. A análise não inclui dados de dezembro.

Há um detalhe na quarta posição ocupada por 2018: foi um ano muito mais quente do que 2010, que aparece em quinto lugar no registro histórico. O ranking da Berkeley Earth também se alinha com as previsões feitas pelo cientista climático da NASA, Gavin Schmidt, em outubro.

Os quatro anos mais quentes aconteceram nos últimos quatro anos. Basicamente, a mudança climática tornou anos extremamente quentes algo normal e agora é só uma questão de saber até que ponto outros fatores climáticos naturais irão determinar onde os recordes vão parar.

É provável que um desses fatores climáticos naturais proporcione uma explosão de calor em 2019. O El Niño está em uma fase de “chega ou não chega” há meses. O fenômeno climático, caracterizado pelo aquecimento no Pacífico tropical oriental, tende a impulsionar a temperatura média anual do mundo ao liberar calor do oceano. Os cientistas já esperavam que ele elevasse 2019 para um marco quase recorde, e a análise da Berkeley Earth ressalta isso.

“Nossa estimativa atual é de que 2019 provavelmente seja mais quente do que 2018, mas é improvável que seja mais quente do que o ano recorde atual, 2016”, afirma a análise. “No momento, parece que há aproximadamente 50% de probabilidade de que 2019 se torne o segundo ano mais quente desde 1850”.

O calor já tem sido cruel em algumas regiões. A Austrália continua a sofrer uma grande onda de calor e grandes regiões da África e da Ásia estão muito mais quentes do que o normal neste momento. O Brasil também tem registrado temperaturas acima da média em alguns locais.

A análise de temperatura da Berkeley Earth é um dos vários registos mantidos em todo o mundo. A maioria é atualizada pelos serviços meteorológicos nacionais e suas atualizações anuais são divulgadas nesta época do ano, e todos se valem de dados de satélite e do solo.