As redes 4G podem oferecer algo além de velocidades superiores a outras conexões de dados: elas podem fornecer vídeo de uma forma que promete desafogar a estrutura das operadoras e reduzir o tempo de espera para o usuário.

Esta tecnologia se chama LTE Broadcast, e a Claro realizou uma “prova de fogo” para testá-la pela primeira vez na América Latina.

O LTE Broadcast é algo próximo a uma transmissão de TV: uma torre 4G pode transmitir o mesmo vídeo para milhares – até milhões – de pessoas ao mesmo tempo, em um sinal único e contínuo, sem congestionar a rede.

Ela é ideal para locais com grandes concentrações de pessoas. “50 milhões ou 100 milhões, o impacto na rede é o mesmo”, disse um executivo da Claro. (Isso se opõe ao unicast, em que cada usuário teria que baixar o vídeo através de sua conexão individual.)

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O teste foi realizado no Rio Open: um jogo de tênis no Jockey Club do Rio de Janeiro foi transmitido ao vivo para diversos smartphones Galaxy S5 e Galaxy S6 Edge que estavam no local.

O app Claro Esportes para Android permitia alternar entre quatro câmeras da quadra. Havia uma espera de 1 a 3 segundos para alternar entre uma câmera e outra, algo que parecia não depender do hardware: em alguns casos, o S5 (mais antigo) foi mais rápido que o S6 Edge.

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Havia um pequeno delay, de cerca de um segundo, entre a transmissão por LTE Broadcast e a cobertura tradicional da TV a cabo da Net. A imagem era nítida e em alta definição, mas a qualidade era um pouco inferior – perdia quadros e sofria uma compressão maior. (A qualidade do vídeo – resolução, taxa de quadros, compressão – depende do codec usado.)

É que, pelo menos no Brasil, o LTE Broadcast não é pensado para telas grandes, e sim para dispositivos móveis – algo que pode ser útil em cenários específicos.

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Por exemplo, você poderia acompanhar alguns momentos do jogo no seu smartphone, caso você esteja longe do campo; ou, como sugere a Claro, você pode acompanhar a partida de tênis em uma quadra e ver a quadra ao lado no celular.

O app Claro Esportes exibia notícias e placares das partidas. E, como o LTE Broadcast permite enviar dados, há um potencial para chat, interatividade e telemetria.

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O LTE Broadcast pode ir além de oferecer TV móvel. Ele também pode fornecer áudio online, atualizações de software simultâneas, e até mesmo alertas de emergência para vários dispositivos ao mesmo tempo.

A Claro explica que o LTE Broadcast não requer uma torre específica – ela faz transmissões e fornece dados ao mesmo tempo – mas a torre 4G precisa de equipamentos especiais para a transmissão.

Além disso, é preciso adaptar smartphones e tablets para ter suporte a LTE Broadcast. Os processadores Snapdragon e Exynos já contam com essa tecnologia, mas ela está “dormente”, exigindo um middleware para ser ativada.

Os smartphones vendidos no Brasil ainda não têm essa tecnologia ativada, e precisariam de uma atualização de software para tanto. (Os dispositivos Galaxy que usamos foram adaptados para o teste.)

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O teste foi uma sinalização de que a Claro está interessada no LTE Broadcast, para que as fabricantes ativem essa tecnologia nos smartphones e ela possa ser usada pelo público em geral. Dessa forma, o serviço não tem previsão de lançamento.

Até por isso, a operadora não menciona quanto este serviço poderia custar. Como se trata de uma transmissão semelhante à TV, imagino que isso não seria descontado da sua franquia de dados, e seria algo contratado à parte.

A Ericsson calcula que 50% dos dados que consumimos atualmente correspondem a vídeo. Isso deve aumentar para 70% até 2018. A ideia da Claro é se antecipar a essa tendência, para reduzir o impacto nas redes celulares e evitar congestionamentos.

O LTE Broadcast tem um potencial interessante. A Qualcomm diz que ela é uma das candidatas para se tornar o próximo padrão de transmissão de TV na Europa. Em 2014, a Nokia Networks fez um teste de larga escala em uma área de 400 km², aplicando a tecnologia no espectro UHF da cidade alemã de Munique.

Mas para o LTE Broadcast vingar, muitas peças precisarão se encaixar no futuro: fabricantes deverão ativá-lo em smartphones e tablets; e operadoras terão que atualizar suas torres e oferecer novos serviços. A Claro deu o primeiro passo na América Latina; vejamos para onde isso vai nos levar.