Telas que podem ser posicionadas em capacetes são importantíssimas em um campo de batalha. E também são caras. Muito caras. O Google Glass, por exemplo, seria absolutamente útil para um soldado comum, mas era caro demais para ser prático. É por isso que o pessoal da DARPA, agência de pesquisas ligada ao Departamento de Defesa dos Estados Unidos, gostou muito de saber que uns pesquisadores criaram um heads up display mais barato.

Mas vamos deixar uma coisa bem clara: não se trata de um capacete F-35 HMDS — aquele caríssimo que mostra ao piloto todas as informações necessárias para ele superar a barreira do som e lançar mísseis. Esse é um dispositivo avançado o suficiente para transformar toda a aeronave em uma espécie de vidro que usa uma série de câmeras infravermelho para permitir que o piloto veja através da fuselagem.



Mas ele custa US$ 400.000. E é por isso que essa versão caseira da DARPA é tão interessante.

Uma equipe de jovens engenheiros criou um conjunto que provavelmente custa menos do que a fita usada para prender o F-35 HMDS ao queixo do usuário. Eu testei um protótipo do dispositivo recentemente durante um evento de demonstração realizado pela DARPA em uma área rural do estado da Virginia, nos EUA. Não era como se eu tivesse em Star Wars, mas isso não foi um problema. Ele foi feito para ser útil, e ele é útil. Com base no que aprendi sobre  o dispositivo, ele realmente parece ser capaz de salvar vidas de soldados.

Google Glass caseiro da DARPA

A nova tela para ser colocada em capacetes foi projetada para soldados da infantaria, não para pilotos de caças. No entanto, o objetivo de otimizar a atenção permanece o mesmo. Se você estiver liderando uma patrulha em território inimigo, você precisa se preocupar com milhões de coisas. Você é o soldado que precisa identificar qualquer insurgência que pode vir a ocorrer no seu caminho. Você é o primeiro na linha de defesa, caso entre em um tiroteio.

O dispositivo da DARPA tem como foco o uso em casos específicos. Todos os três recursos programados que vi na demonstração focam na navegação e detecção de ameaças. Todo o sistema foi construído dentro do ecossistema TransApp da DARPA, a mesma iniciativa de software ambiciosa que está em milhares de smartphones de soldados em campos de batalha.

Uma das possibilidades de visualização do display mostra uma visão simples de satélite com todo o terreno ao redor, além do plano de missão e a posição do soldado. Outra visão relacionada, mostrando apenas a forma simplificada abaixo, oferece mais dados relacionados diretamente ao soldado. Os recursos são baseados no app Maps desenvolvido pela TransApp como forma de substituir os métodos de mapeamento que vem da Segunda Guerra Mundial. Também não é nada muito diferente do recurso de navegação do Google Glass. A tela também detecta os movimentos da cabeça do soldado para sempre mostrar orientações relevantes.

Google Glass caseiro da DARPA

O terceiro modo de visualização talvez seja o mais interessante de todos. Ele se conecta a um banco de dados militar com insurgentes e civis conhecidos (outra aplicação para essa informação é um app chamado WhoDat, que é meio que uma coleção de figurinhas com pessoas locais, suas afiliações e o nível de hostilidade). Isso permite que o soldado navegue por imagens de perfil de pessoas que moram próximo ao campo de batalha, o que ajuda na identificação de quem pode ser uma ameaça e quem não deve ser.

É fácil comparar esse dispositivo simples e barato com o não tão simples e muito menos barato Google Glass, mas aqui temos um design voltado para ser útil. A tela pode subir ou descer, de acordo com a vontade do soldado, caso ele não queira ter a visão obstruída pelo display. A tela em si é opaca e não tem o efeito de realidade aumentada presente em alguns outros gadgets parecidos.

Dito isso, trata-se de uma tecnologia bastante avançada e bem útil em um dispositivo que custa o mesmo que um smartphone — e não o preço de uma casa. Isso significa que provavelmente mais soldados poderão usar um aparelho desses, que provavelmente salvará muitas vidas em meio a uma guerra. No entanto, ele toranará o ato de matar pessoas em campo de batalha bem mais simples.

Imagens via Adam Clark Estes / DARPA