Esta foto, junto ao simples texto “Mais quatro anos”, se tornou a foto mais tuitada e também a mais curtida no Facebook – e ela alcançou este feito com uma velocidade incrível. Nós achamos que você gostaria de ouvir a história por trás dela: provavelmente não é o que você imagina.

Para saber a história por trás da foto, fomos direto à mulher que a capturou. Senhoras e senhores, conheçam Scout Tufankjian.

Giz: Conte-nos um pouco sobre você.

Scout Tufankjian: Eu fotografo profissionalmente há cerca de 12/13 anos, e minha carreira tem sido bem misturada. Eu comecei a fotografar na Irlanda do Norte (eu tinha 18 anos e queria ir para algum lugar onde se falasse inglês, e que fosse mais barato que Londres), e desde então eu cobri histórias internacionais como a Revolução Egípcia e suas consequências, o terremoto no Haiti e suas consequências (como fotógrafos, cobrimos um monte de consequências), e da Segunda Intifada.

Giz: Há quanto tempo você fotografa Barack Obama?

ST: Em 2006, eu fui enviada para New Hampshire para cobrir uma sessão de autógrafos que Barack Obama, então senador de Illinois, fez para seu livro. Então decidi passar os próximos dois anos e meio cobrindo o que tornou sua campanha presidencial vencedora. Assim, por puro acaso e teimosia, eu me tornei a única fotojornalista a cobrir toda a campanha de Obama de 2008. Depois que a campanha acabou, eu fiz um livro, Yes We Can: A Campanha Presidencial Histórica de Barack Obama, e voltei a fazer trabalhos internacionais.

Eu comecei a fotografar exclusivamente para a campanha em agosto de 2012. Eu acho que eles provavelmente lembraram de mim e do meu trabalho feito em 2008, e me ligaram quando a campanha começou a acelerar. Há dois fotógrafos: eu e Christopher Dilts. Eu me concentro no presidente, e ele cobre o vice-presidente e a primeira-dama.

Giz: Como “A Foto” surgiu?

ST: Esta foto foi tirada em Dubuque, Iowa no dia 15 de agosto. Iowa é sempre um lugar muito especial para o casal Obama, já que os moradores do estado foram as primeiras pessoas fora de Chicago a apoiar a candidatura de Obama, e estávamos num tour de ônibus por três dias. Este foi o primeiro evento no qual a primeira-dama estava presente, e eles não tinham se visto havia alguns dias. Como eu sou uma completa romântica e me casei recentemente, eu acho que o relacionamento deles é totalmente inspirador em termos do respeito que eles têm um pelo outro, então eu sempre tento me concentrar neles como um casal, em vez de figuras públicas.

Giz: Quantas fotos você tirou d’ “O Momento”, e como você decidiu tirar a foto?

ST: Acho que eu tenho uma ou duas fotos daquele momento. Como regra geral, eu não tiro tantas fotos, e quase nunca uso o modo contínuo na minha câmera, então eu não teria tirado mais do que uma ou duas. Eu definitivamente não fazia ideia de que ela seria tão popular, mas não me iludo achando que a popularidade tenha absolutamente algo a ver com o enquadramento da imagem, etc. Isso se trata de como as pessoas se sentem sobre a família Obama.

Giz: Você tinha alguma ideia de que a foto seria usada dessa forma meses depois?

ST: Não fazia ideia mesmo! Eu fiquei totalmente chocada. Meu amigo Connor me mandou um e-mail logo depois do tweet quebrar o recorde: foi a primeira vez que eu descobri. Estou muito feliz que usaram a foto, no entanto.

Giz: Qual câmera e lente você usou?

ST: Eu tirei esta foto com uma Nikon D3 e uma lente prime 85mm f/1.4. Eu só tiro foto com lente prime (eu tenho uma lente 80-200mm que eu levo comigo, e quase nunca uso), e eu principalmente tiro fotos com f-stop bem alto, o que envolve risco alto, mas uma grande recompensa. Quando você acerta, a imagem pode ficar linda, quase como um sonho e com uma tridimensionalidade que eu amo, mas quando não dá certo, a foto só fica inútil e desfocada. Você tem que estar disposto a perder momentos (e não ficar muito chateado com esses momentos perdidos) para tirar fotos dessa maneira.

O resto do meu kit inclui uma D700, uma lente 28mm f/1.8, uma 28mm f/2.8, uma 35mm f/2 e uma 50mm f/1.4. Eu também estou com uma D800 que a Nikon emprestou, uma câmera mais silenciosa, para os cliques não interferirem com momentos de bastidores da iniciativa privada, e eu aluguei uma lente Nikon 35mm f/1.4 que eu amo de coração, mas que atualmente não cabe no meu orçamento.

Giz: Alguma dica para capturar momentos espontâneos?

ST: O meu principal conselho seria não pré-planejar muito. Se você cria uma lista do que fotografar, ou procura por momentos específicos, você pode perder algo incrível. Além disso, permita-se fotografar sem rumo, mas não tenha medo em se concentrar numa só pessoa por 45 minutos esperando por um momento perfeito.

Robert Capa disse uma vez (talvez apocrifamente) que a coisa mais importante sobre o fotojornalismo é gostar de pessoas, e mostrar para elas que você gosta delas. Se você está interessado em pessoas, isso torna o trabalho exponencialmente mais fácil.

Fora isso, muito é sorte e preparação. Como na foto do abraço de urso, que também se tornou viral: aconteceu de eu estar no lugar certo, com exatamente a lente certa, o que nem sempre acontece. E, às vezes – e isso é constrangedor para mim – eu só percebo mais tarde que algo está acontecendo, como a foto de crianças se beijando que o Gawker cobriu. Eu gostaria de dizer que eu vi isso acontecer, mas eu nem vi.

Por fim, tire muitas fotos. Eu não estou dizendo para depender do modo contínuo, que eu acho ser meio estranho e alienante (você não quer que o objeto da foto se sinta metralhado), mas quanto mais fotos você tira, maior a chance de conseguir algo incrível.


Você pode conferir boa parte do ótimo trabalho de Scout no site dela, e está disponível na Amazon seu livro Yes We Can: Barack Obama’s History-Making Presidential Campaign.

Obrigado, Scout!