Um dos efeitos diretos do isolamento social durante a pandemia da Covid-19 foi o confinamento domiciliar. E os mais afetados parecem ser crianças — e, principalmente, adolescentes. Segundo um novo estudo, eles foram o grupo que mais sofreu em casa durante o período de isolamento da pandemia.

Um levantamento feito com 7.705 adolescentes pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA, em 2021, e publicado na última quinta-feira (31), indicou que cerca de 44% dos jovens entrevistados relataram tristeza profunda ou desesperança, que os levou a parar de fazer algumas atividades habituais.

A pesquisa também revelou que 9% dos adolescentes chegaram ao limite de tentarem suicídio. Cerca de um em cada cinco considerou seriamente tirar a própria vida. As queixas mais relatadas pelos jovens foram abuso emocional e abuso físico.

51,1% dos adolescentes entrevistados disseram que sofreram abuso emocional de um dos pais ou outro adulto em sua casa no ano passado. Do grupo, 11,3% dos jovens relataram abuso físico.

Abuso emocional

  • Na pesquisa, foi enquadrado como abuso emocional palavrões, insultos e menosprezo.

Abuso físico

  • Foi definido como abuso físico bater, chutar, empurrar ou qualquer ato que coloca em risco a integridade física do adolescente.

O destaque negativo ficou para os jovens que fazem parte do grupo LGBTQIA+. Eles aparecem entre os que tiveram a saúde mental mais afetada.

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“Esses dados nos mostram que os jovens e suas famílias estiveram sob níveis incríveis de estresse durante a pandemia. Nossos dados expõem rachaduras e revelam uma importante camada de insights sobre as crises que alguns jovens viveram durante a pandemia”, disse Kathleen Ethier, diretora da divisão de saúde escolar e adolescente do CDC.

Pesquisadores e médicos expressaram alarme sobre um declínio acentuado na saúde mental dos jovens durante a pandemia, que foi descrita como “devastadora”.