As doses de reforço contra a Covid-19 podem ser, eventualmente, necessárias para todos, embora mais rápido para algumas pessoas do que outras – pelo menos, essas são as expectativas da Organização Mundial de Saúde (OMS). 

Na quinta-feira, a Reuters informou sobre os documentos internos da OMS que apresentam seus cenários para o futuro próximo da pandemia, incluindo um que prevê que a maioria das pessoas pode precisar reforçar a vacina dois anos após a última dose. Os grupos mais vulneráveis, como os idosos, e pessoas com sistema imunológico frágil ou que têm comorbidades, podem precisar deles um ano após a última dose.

De acordo com a Reuters, as previsões foram definidas para serem discutidas durante uma reunião do conselho realizada quinta-feira pela Gavi, uma organização e parceria público-privada formada em 2000 pela OMS e outras partes, incluindo a Fundação Bill & Melinda Gates, que têm se concentrado em fornecer vacinas para os países mais pobres do mundo.

Durante a pandemia, Gavi, a OMS e a Coalition for Epidemic Preparedness Innovations (CEPI) foram responsáveis ​​pelo programa COVAX, uma iniciativa destinada a fornecer grande parte das doses da vacina contra Covid-19 para alguns países em desenvolvimento.

A OMS não respondeu a um pedido da Reuters para comentar sobre as supostas previsões. Mas um porta-voz de Gavi disse ao canal que o programa COVAX estaria planejando levar em consideração uma ampla gama de cenários.

Na verdade, restam muitas dúvidas  quando se trata de prever o curso da imunidade do coronavírus. Alguns especialistas do governo dos EUA  e fabricantes de vacinas disseram que reforços podem ser necessários em até um ano. No entanto, outros estudos sugeriram que a imunidade natural permanece forte e resistente em pessoas que foram contagiadas há 11 meses ou mais, enquanto dados de testes clínicos em andamento da Pfizer indicaram que as pessoas permanecem imunes pelo menos seis meses após a dose final. As reinfecções e infecções emergentes entre os totalmente vacinados também continuam muito raras.

É claro que, à medida que o coronavírus continua a evoluir, pode eventualmente haver variantes capazes de escapar substancialmente da imunidade fornecida pelas vacinas atuais ou por infecções anteriores. O sistema imunológico é uma máquina complicada, porém, há muitas partes funcionais que determinam como reagimos a um germe familiar. Uma variante hipotética pode algum dia ser capaz de causar doenças em mais de 50% dos vacinados, por exemplo, mas nosso sistema imunológico ainda pode ser treinado o suficiente para evitar que a maioria de nós fique gravemente doente.

Algumas pessoas são definitivamente mais propensas a se beneficiar dos reforços do que outras. Na quarta-feira, um estudo descobriu que receptores de transplantes de órgãos desenvolveram sinais de imunidade mais forte, incluindo anticorpos específicos de Covid-19, após uma terceira dose de reforço. Naquele mesmo dia, especialistas reunidos pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças concluíram que não havia evidências suficientes para apoiar a recomendação de reforços para a população em geral agora, mas concordaram que certos grupos, incluindo idosos ou receptores de transplantes, possam precisar deles. Eles também não descartaram a ideia de um dia recomendar para todos os outros.

Ainda assim, o problema mais urgente relacionado à pandemia que o mundo enfrenta não é sobre os reforços de vacinas, mas sobre dar as primeiras doses a todos o mais rápido possível. Não se espera  que o sistema COVAX chegue perto de distribuir a sua meta de 2 bilhões de doses de vacinas. E embora tenha havido sucessos recentes importantes no desenvolvimento de vacinas candidatas adicionais, também houve falhas em toda a pandemia no fornecimento de vacinas para o mundo.

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Já em outubro de 2019, por exemplo, a maior parte do mundo vinha pedindo a renúncia temporária dos direitos de patente para que a produção de vacinas pudesse ser acelerada – um pedido contra o qual os EUA e outros partidos poderosos, incluindo a Fundação Gates, lutaram contra. Contudo, em maio de 2021, os EUA passaram a apoiar essas isenções, mas ainda não há certeza se isso, de fato, acontecerá.

Atualmente, apenas 17% da população mundial está parcialmente vacinada, e infelizmente, pode levar até 2022 ou mais para que a maioria do planeta receba suas vacinas.