Apesar da resistência interna, a Amazon mudou seus algoritmos de busca para priorizar produtos que trazem maiores lucros para a empresa — incluindo seus próprios produtos de marca própria. As informações são de uma matéria exclusiva do Wall Street Journal.

Citando fontes da equipe de pesquisa A9 da Amazon e dos advogados da empresa, a reportagem do WSJ alega que a Amazon alterou o algoritmo de pesquisa. Antes, ela mostrava os produtos mais relevantes. Agora, ela mostra produtos “em destaque”.

A mudança não foi divulgada e foi contestada inicialmente pelos advogados internos da Amazon, que disseram que isso poderia causar problemas com reguladores antitruste. A mudança também não tinha apoio entre a equipe A9, já que ela era pensada para colocar a lucratividade sobre o que é melhor para os clientes.

Embora o ajuste não necessariamente fortaleça apenas os produtos da Amazon, provavelmente dará um empurrão nas marcas próprias da gigante da tecnologia, pois elas são projetadas para serem mais lucrativas para a empresa.

Segundo a matéria, a equipe de varejo da Amazon pressionou os engenheiros da A9 a favorecer os produtos de marca própria da Amazon por anos, argumentando que eles deveriam receber tratamento preferencial nos resultados de pesquisa. Sua lógica era que as redes de supermercados e drogarias colocavam seus próprios produtos junto a outras marcas nacionais nas lojas.

Quando os executivos da equipe de varejo encontraram resistência da equipe sobre a adição direta de uma métrica de lucratividade, eles procuraram mais variáveis ​​indiretas que pudessem atuar como indicadores de lucro no algoritmo.

O tipo de correlação que os funcionários da Amazon tentaram estabelecer entre seu próprio mercado e um varejista tradicional ignora o fato de que a loja controla cerca de 38% do mercado de varejo online nos EUA. De um modo geral, a sociedade ainda não decidiu o que é aceitável ao avaliar as diferenças entre práticas de lojas físicas e de negócios digitais. Mas o caso da Amazon está mais próximo de um varejista ter a capacidade de colocar sua loja no setor imobiliário mais importante em 38% das cidades do que em uma simples escolha de prateleira para cada produto.

A Amazon discorda da reportagem do Wall Street Journal. Em uma declaração por e-mail ao Gizmodo, um porta-voz da empresa escreveu:

O Wall Street Journal está errado. Explicamos detalhadamente que o “furo” de fontes não identificadas não era factualmente preciso, mas eles publicaram mesmo assim. O fato é que não alteramos os critérios que usamos para classificar os resultados da pesquisa para incluir lucratividade. Apresentamos os produtos que os clientes desejam, independentemente de serem nossas próprias marcas ou produtos oferecidos por nossos parceiros de vendas. Como qualquer loja faria, consideramos a lucratividade dos produtos que listamos e apresentamos no site, mas é apenas uma métrica e, de nenhum modo, um fator importante do que mostramos aos clientes.

A Amazon também disse ao Gizmodo que os produtos de marca própria representam apenas 1% de suas vendas totais e argumentou que o número é muito maior para outros varejistas que oferecem produtos próprios. Independentemente disso, as notícias fizeram com que as ações da Amazon caíssem um pouco nesta manhã. Segundo a Bloomberg, os papéis caíram 1,8% na segunda-feira (16).

A notícia chega em um momento em que os gigantes da tecnologia estão sob maior escrutínio antitruste dos órgãos reguladores. Na última sexta-feira (13), os parlamentares pediram aos executivos da Amazon — e também do Google, Apple e Facebook — que entregassem suas comunicações pessoais para ver se as empresas estão se comportando de maneira anticompetitiva.

Enquanto isso, a Amazon também está enfrentando uma investigação antitruste na União Europeia sobre o tratamento de comerciantes terceirizados, alegando que está “abusando de seu duplo papel como vendedor de seus próprios produtos e operadora de mercado”.