A Amazon anunciou na manhã desta terça-feira (2) que irá aumentar seu salário mínimo para US$ 15 por hora para todos os funcionários americanos, incluindo os empregados temporários e os de temporada. A mudança é resultado direto da pressão pública de pessoas que criticaram a empresa por seus baixos salários, suas condições esgotantes e pelo fato de muitos funcionários dependerem de vales alimentação do governo para comer. Um a cada três funcionários de armazém da Amazon no Arizona, por exemplo, dependem atualmente desse vale.

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“Ouvimos nossos críticos, pensamos bastante sobre o que queríamos fazer e decidimos que queríamos liderar”, disse o bilionário fundador da Amazon, Jeff Bezos, em um comunicado. “Estamos empolgados com essa mudança e incentivamos nossos concorrentes e outros grandes empregadores a se juntarem a nós.”

O novo piso de US$ 15 entra em vigor em primeiro de novembro e irá impactar 250 mil funcionários americanos da Amazon, além de mais de 100 mil empregados sazonais que estão sendo contratados para a próxima temporada agitada de férias nos EUA. O atual salário mínimo federal nos EUA é de US$ 7,25 por hora, cifra que não muda desde 2009. Algumas grandes cidades norte-americanas assumiram elas mesmas o compromisso de aumentar seu salário mínimo, incluindo Seattle, que subiu a cifra para US$ 15 por hora neste ano. Em um post de blog no site britânico da Amazon, a companhia anunciou que o salário mínimo no Reino Unido também seria aumentado, indo para £ 10,50 na área metropolitana de Londres e para £ 9,50 no resto do país (o custo de vida na capital é significativamente maior do que no restante do país).

A Amazon também diz que planeja fazer lobby com o governo dos EUA para promover uma mudança no salário mínimo. Sindicatos e defensores dos direitos dos trabalhadores têm pedido há anos um salário mínimo de US$ 15 por hora.

“Vamos trabalhar para ganhar o apoio do Congresso em busca de um aumento no salário mínimo federal. O valor atual de US$ 7,25 foi determinado há quase uma década”, disse em um comunicado Jay Carney, vice-presidente sênior de assuntos corporativos globais na Amazon. “Pretendemos defender um aumento no salário mínimo que terá um profundo impacto nas vidas de dezenas de milhões de pessoas e famílias no país.”

Contatada pelo Gizmodo nesta manhã para falar sobre como a companhia pretende fazer esse lobby perante o Congresso e sobre quantos lobistas ela tem na área de Washington, D.C., a Amazon preferiu não comentar sobre o assunto.

A Whole Foods, comprada pela Amazon em 2017 e que recentemente viu uma tentativa de sindicalização por parte de seus funcionários, não foi mencionada nesse anúncio recente da empresa. A Amazon mostrou uma posição agressivamente contrária a sindicalizações em um vídeo vazado obtido pelo Gizmodo.

Jeff Bezos, o homem mais rico do mundo, com uma fortuna de mais de US$ 164 bilhões, vinha sendo fortemente criticado por empregar uma força de trabalho mal remunerada, com muitos dos funcionários dependendo dos vales alimentação do governo para sobreviver. A Amazon também foi criticada globalmente por não pagar sua parcela justa de impostos. A gigante global da tecnologia e do varejo ainda está sendo investigada pela União Europeia pela maneira como lida com dados de consumidores. Com exceção do Reino Unido, funcionários europeus não foram mencionados no comunicado de imprensa da companhia.

Quaisquer que sejam seus motivos, é positivo que a Amazon esteja começando a remunerar melhor seus empregados. E, como você pode ver no comunicado de Bezos, isso foi uma resposta direta às críticas. A pressão popular funciona, sim.

[Amazon]

Imagem do topo: Getty