O Amazon Go, o supermercado automatizado da Amazon sem caixas e sem filas, vai abrir oficialmente ao público nesta segunda-feira (22) em Seattle, como um dos primeiro estágios de um experimento que poderá revolucionar a forma de comprar em ambientes físicos.

O supermercado usa uma rede de câmeras e sensores que monitoram os clientes e que automaticamente os cobra pelo que pegaram na loja via um app para smartphone. O Amazon Go começou a funcionar no ano passado durante um período de testes, mas com a estreia desta segunda, qualquer cliente poderá entrar no local, desde que tenha baixado e instalado o app Amazon Go.

Supermercado automatizado da Amazon funciona bem (se ninguém andar rápido ou mover as coisas)
Fantasias de Pikachu não podem enganar os sensores da loja automatizada da Amazon

Quando nós checamos o funcionamento deste supermercado em 2017, a Amazon estava corrigindo alguns problemas — os computadores, por exemplo, responsáveis pela loja ficam confusos quando muitos consumidores entravam no local, ou quando se movimentavam rapidamente; além disso, se alguém mudasse algum item da prateleira, também havia confusão.

Foto por AP

Essas são ações que ocorrem em qualquer loja, então, espero que a Amazon tenha resolvido este problema.

Segundo a Reuters, a Amazon corrigiu os problemas incluindo “identificar corretamente os compradores com tipos de corpo semelhantes” e o caos causado por crianças que pegam itens e os colocam em outros lugares. Eles também desenvolveram um software capaz de diferenciar produtos com marca ou embalagem parecidas, algo que ocasionalmente pode confundir até humanos. Embora a loja agora seja capaz de identificar humanos, mesmo que eles estejam usando fantasias gigantes do Pikachu, os engenheiros da Amazon ainda estão elaborando soluções para grandes problemas vistos em novembro, de acordo com a Bloomberg:

O sistema está funcionando bem para compradores que estão sozinho, mas ainda tem dificuldades de cobrar pessoas que estão em grupos, como famílias ou crianças de colo, disse uma pessoa. Os engenheiros do Go têm estudado hábitos de famílias que vão às compras para configurar os sensores, de modo que eles identifiquem quando uma criança come algo enquanto anda pela loja. Os responsáveis pela tecnologia também estão tentando entender qual pessoa devem cobrar quando um casal vai às compras junto. Para isso, a Amazon encorajou funcionários irem em duplas para testarem o local e comprarem o almoço.

“A Amazon, famosa pela sua dinâmica de preços online, imprimiu etiquetas de preço, como lojas convencionais”, informa a Reuters — provavelmente por causa da forma que a loja funciona ou pelo fato de preço personalizado ser ainda uma area cinza, juridicamente falando.

O Recode visitou a loja de 167 metros quadrados e tirou algumas fotos; o interior parece bastante a linha de mercados Whole Foods (adquirida recentemente pela Amazon) ou outros mercados caros, embora primariamente o Go tenha sanduíches, salgadinhos, kits de refeição, bebidas e outros itens processados em vez de ingredientes frescos. Os consumidores são continuamente monitorados por câmeras pretas montadas no teto. Curiosamente, a parte de vinhos conta com um sinal que diz “nós chegamos sua identidade”, embora não esteja claro se o processo envolve a interação com um funcionário da loja.

Este é um conceito interessante, mas como já foi notado em 2016, ele conta com implicações inconvenientes como um certo classismo implícito — se você não tem um telefone caro, você não conseguirá comprar no local. Há ainda a possibilidade de que mercados sem caixas ameacem um setor inteiro de emprego — é importante considerar que nos EUA o varejo físico tem dificuldade para concorrer com o comércio eletrônico há um tempo.

Ainda não está claro se o experimento da Amazon vai conseguir dominar o ramo dos supermercados físicos com este tipo de loja, porque até o momento a empresa obteve resultados mistos em suas tentativas de atuar com lojas físicas. Enquanto a gigante do varejo comprou o Whole Foods por US$ 13,7 bilhões no ano passado, o Austin Business Journal diz que os esforços da Amazon em racionalizar processos e de controle de preço levaram a rede a evitar desperdícios, no entanto gerentes de lojas estão preocupados, pois isso causou a falta de produtos e a prateleiras vazias em algumas lojas pelo país.

[Reuters]

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