A Bloomberg News e outros veículos estão noticiando que a Amazon vai comprar a Whole Foods por US$ 13,6 bilhões em dinheiro. Em dinheiro! Isso é o equivalente a Jeff Bezos e companhia pagarem US$ 42 por ação de uma rede de lojas de comida e estilo de vida saudáveis. Em dinheiro!

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A Amazon confirmou a informação da Bloomberg minutos após ela chegar à internet. “Milhões de pessoas amam a Whole Foods Market porque ela oferece as melhores comidas naturais e orgânicas, tornando divertido se alimentar de forma saudável”, disse Bezos em um comunicado à imprensa. Supostamente, esse acordo também tornará divertido para Jeff Bezos se transformar no homem mais rico do planeta.

O acordo é também algo único, não importa o quanto você o avalie. A Amazon tem feito investidas no mercado de varejo há anos, mais recentemente abrindo livrarias físicas, assim como testando um conceito de supermercado automatizado. Tem também a Amazon Fresh, serviço de entrega de compras de mercearia que tem crescido há anos. A ideia de que a empresa de Seattle queira comprar uma marca premium como a Whole Foods, sem falar no acesso a todas as suas propriedades e logísticas, faz tudo isso parecer um aquecimento para a aquisição maciça da Amazon de lojas do mundo real.

Em uma perspectiva mais localizada, a aquisição deve representar uma concorrência renovada no ramo de supermercados. A Whole Foods vinha tendo dificuldades nos últimos anos diante de seu lento crescimento, comparado com o ritmo de marcas como Kroger, The Fresh Market e Walmart. Este último, por sinal, não se intimidou em bater de frente com a Amazon recentemente, criando um serviço de retirada de compras para aproveitar os clientes insatisfeitos com a companhia de Jeff Bezos.

Além disso, a investida da empresa em comida orgânica teve seu efeito no momento vivido pela Whole Foods. Os primeiros indícios após a informação da transação entre Amazon e Whole Foods já apontam para uma disputa quente, com as ações do Walmart caindo 6% diante das notícias desta sexta-feira. Como aponta a Forbes, a grande vantagem que o Walmart tinha sobre a Amazon era sua ampla rede de lojas físicas em todos os Estados Unidos. E mesmo isso agora está sob risco.

Apesar de sua singularidade, o negócio ainda não está feito. Acionistas da Whole Foods ainda precisam aprovar a compra, assim como os reguladores. A Amazon diz que ambas as partes esperam “fechar a transação durante a segunda metade de 2017”. Quem sabe quanto tempo vai levar até que você comece a ver Kindles à venda no caixa da Whole Foods e Amazon Echos à mostra em uma nova seção de eletrônicos na Whole Foods? Imagina só o poder da Alexa quando ela conseguir te dizer o preço de um bife envelhecido por 28 dias na seção de carnes da Whole Foods.

Por outro lado, Jeff Bezos tem um histórico de comprar empresas, infundindo-as com novo capital e então meio que as deixando em paz. Isso é mais ou menos o que Bezos fez depois de comprar o The Washington Post, exceto por oferecer algumas assinaturas gratuitas para membros do Amazon Prime. Só o tempo vai dizer, e, sem dúvidas, Bezos vai impulsionar seu patrimônio líquido eventualmente, agora que é dono de uma rede que tem o apelido de “Whole Paycheck” (“todo o seu salário”, em tradução livre). Que venham as piadas.

Colaborou: Leo Escudeiro