por Bruno Izidro

A camiseta já está por cima do controle por causa do polegar dolorido de tanto realizar o comando de meia-lua. A dor nos dedos traz de volta as lembranças dos tempos de Hadoukens e Shoryukens em 16-bits, mas o esforço de agora é por causa do Street Fighter V, um jogo que consegue ser ao mesmo tempo nostálgico e trazer algo novo para quem gosta de dar um sopapos virtuais de vez em quando.

A tão esperada sequência do jogo de luta da Capcom chega nesta terça-feira (16) ao PS4 e PC. após oito anos de reinado de Street Fighter IV, esse quinto capítulo da busca pelos mais fortes tem a missão de continuar relevante para o cenário de competições, o que não deve ser difícil de acontecer. O próprio brasileiro Keoma Pacheco, jogador profissional e um do melhores do mundo, já comentou como as mudanças de Street Fighter V vão impactar positivamente a cena.

O grande desafio fica, então, em fazer do novo Street Fighter um jogo mais acessível para quem só quer se divertir, sem precisar decorar combinações mirabolantes para soltar os golpes ou ter que passar por uma curva de aprendizado alta demais. Por ser um jogo mais simples de começar a jogar, mas sem perder a profundidade de combate, é que Street Fighter V se torna uma sequência necessária e melhorada do jogo anterior.

A cena da camiseta por cima do controle do início do texto acontecia durante uma partida online de Street Fighter V. Nas 23 lutas anteriores a essa eu só havia conhecido a derrota, mas o que me motivava a continuar era perceber que gradativamente eu estava jogando melhor.

Aquela máxima de que cada derrota é um aprendizado se fazia valer, com a ajuda da jogabilidade simplificada do jogo, diga-se de passagem. Assim, a cada novo desafiante online, a minha Chun-Li conseguia não apanhar mais tanto ou até mesmo ganhar um round.

Aliás, saber quais bonecos melhor se adaptam ao seu estilo é algo fundamental a praticamente todo jogo de luta. Em Street Fighter V não há melhor jeito de conhecer todos eles do que o modo história. São 16 o número de personagens iniciais do jogo, desde os feijão-com-arroz Ryu e Ken até os novatos F.A.N.G, Necalli e a brasileira Laura. Porém, a Capcom pretende lançar mais seis bonecos durante todo 2016, com o primeiro sendo Alex (de Street Fighter III) já no próximo mês de março.

Familiarizar-se com cada personagem é mesmo uma das poucas utilidades do modo história (fora ganhar Fight Money, mas isso a gente fala daqui a pouco), porque, rapaz, o enredo em si é qualquer coisa pra servir de desculpa pros lutadores saírem na porrada. Cronologicamente Street Fighter V acontece entre SF IV e SF III e as narrativas mostradas agora são só uma prévia para o verdadeiro modo história do jogo, que vai ser lançado em junho gratuitamente.

Street_Fighter_V_16_characters

Alguns personagens até têm um background interessante, como a Cammy, que quer liberar as Dolls do poder da Shadaloo (como a Decapre do Ultra Street Fighter IV) ou Ryu na sua eterna luta contra o Satsui no Hado. Já outros são só bobos ou cheios de clichês, como a motivação que Laura tem de sair do Brasil pra lutar por aí ou a R. Mika sendo treinada por Zangief para
encontrar o “espírito muscular”. Fora todo o plot sobre a Shadaloo querendo dominar o mundo.

Na tranquilidade

Bom, acho que passei tempo demais falando de história em jogo de luta, então vamos focar no que faz de Street Fighter V realmente um jogo interessante. Aprender a jogar é de boa, o que deixa bem mais simples saber usar habilidades especiais e magias, é só ficar atento com a barra vermelha de V-Triger – que enche quando se apanha – e a barra azul de EX – que enche quando se bate no adversário. Simples, não?

O tutorial do jogo, inclusive, explica o básico do jogo e de forma bem legal, com o Ryu e Ken das versões de Street Fighter Alpha/Zero treinando, saca só.

Algo que o tutorial não fala, porém, é que os bonecos são divididos também em quatro categorias de comportamento de lutas: os balanceados, como Ryu e Chun-Li, bons para quem está iniciando; Ofensivos como Rashid e Ken; Nos Grappler se encaixam a R. Mika e Zangief e os defensivos como M. Bison e Dhalsim.

Tudo isso é feito para deixar o jogo o mais amigável possível para quem não está acostumado com jogos de luta ou mesmo para incentivar quem sempre se sentiu uma negação no gênero. Ainda é preciso um pouco de paciência e dedicação, mas é claramente bem mais tranquilo que Street Fighter IV, o que deixa tudo mais favorável para Street Fighter V.

Lute por seu dinheiro

Diferente do que aconteceu com os jogos principais da série, Street Fighter V não terá versão Ultra, Super, Turbo e etc. O que a Capcom planeja é adicionar conteúdo durante toda a vida do game. Alguns serão gratuitos, outros não.

Os DLCs com personagens e roupas poderão ser adquiridos pelas moedas virtuais do jogo, que são duas. A primeira é a Fight Money, que é adquirida pelo seu próprio esforço, completando os modos histórias de cada personagem, ganhando lutas online e por aí vai. A segunda é a Zenny Money, que é comprada diretamente com dinheiro real.

Ou seja, para o primeiro personagem de DLC, Alex, ou você pode ficar jogando até conseguir o valor dele em Fight Money ou comprar direto com Zenny tirado do próprio bolso. A Capcom já divulgou quanto vai custar a moeda digital. Ela vai variar entre R$ 3,50 (100 Zeny) a R$ 91,90 (4000 Zenny). Se isso vai dar certo ou não só poderemos saber depois de março, quando esse sistema começar a funcionar pra valer.

Sobre o conteúdo gratuito, haverá atualizações de balanceamento e alguns modos de jogo. Por falar nisso, algo meio estranho em Street Fighter V é que a Capcom parece está lançando um jogo inacabado agora. Além do modo de história de verdade, que só vai ser lançado em junho, o game ainda não terá o modo de desafios e a loja online até março, quando chega o primeiro conteúdo de DLC. O principal e mais importante pelo menos está lá desde o começo: as partidas online (ranqueadas e casuais), o versus, treinamento e modo sobrevivência, ainda assim a falta desses outros conteúdos é algo que deve ser ressaltado.

STREET FIGHTER V_K.O.

Algo negativo que também não pode ser ignorado é o valor com que o jogo vai chegar ao país. Quando foi anunciado, Street Fighter V parecia um grande trunfo pra donos de PS4. Agora essa vantagem parece ter desaparecido. Com o preço de R$ 280 no console da Sony, agora é mais jogo (literalmente) adquirir a versão de PC que sai por R$ 99. Mais uma vítima da complicada onda de encarecimento de preços de games no Brasil.

You Win

Talvez Street Fighter V nunca consiga alcançar a importância que seu antecessor teve. Afinal foi com Street Fighter IV que os jogos de lutas voltaram a se popularizar após anos escondidos em seus nichos e nem a Capcom sabia direito onde ele chegaria. Não foi coincidência que o jogo teve quatro versões, cada um se adaptando e sendo uma resposta pela demanda que o cenário que ele mesmo criou estava pedindo.

Graças ao sucesso de SF IV que a Capcom também investiu em uma continuação pra Marvel vs Capcom e influenciou os concorrentes: Mortal Kombat, King of Fighters, Tekken e etc. Agora o produtor Yoshinoro Ono e seu time sabem muito bem o caminho que pretende seguir e Street Fighter V é esse próximo passo, seguro e esperado, mas que também abre novas possibilidades sendo mais amigável de aprender.

No final quem ganha é você. Eu pelo menos já ganhei, já que depois de 23 derrotas, finalmente consegui a primeira vitória online em Street Fighter V. Dá uma olhada no vídeo, que tá favorável.

Street Fighter V será lançado em versão digital na PlayStation Store e Steam a partir de terça-feira (16). Versão físicas para PS4 e PC vão estar disponíveis a partir desta quinta-feira (18). O jogo vem com menus e legendas em português (nada de dublagem).

*A cópia do jogo para análise foi cedida pela Capcom.