por Bruno Izidro

A partir desse mês de novembro, as versões nacionais do Xbox One e Xbox 360 começam a ficar mais caras no Brasil, com preços sugeridos de R$ 2.499 e R$ 1.099, respectivamente – isso nos modelos mais básico de ambos, sem o Kinect. O aumento ainda deve demorar um pouco a aparecer para o consumidor, pelo menos enquanto as lojas ainda estão com os estoques antigos dos videogames. Mas os novos valores devem afetar bastante a venda dos consoles – principalmente nessa época de compras de Natal – e isso é algo de que a Microsoft estava ciente quando anunciou o aumento.



“A gente sabe que tem impactos, não tem como não considerá-los, mas a gente tinha que fazer esse movimento (de reajuste de preço)”, fala o gerente geral de Xbox no Brasil, Willen Puccinelli. Quando foi lançado, em 2013, o Xbox One custava R$ 2.300 no bundle com o Kinect, que era a única versão disponível na época. Em 2014, com o anúncio da versão sem o aparelho de controle de movimento, o console passou a ter o valor de R$ 2 mil. Já com o Xbox 360, há quase três anos os preços eram os mesmos, com a versão mais básica, sem Kinect, custando R$ 899.

Esses eram os preços sugeridos pela própria Microsoft, mas, na prática, era possível achar as versões nacionais tanto de Xbox One quanto de Xbox 360 por valores bem abaixo disso em grandes lojas do varejo. Willen diz que as vendas “passaram todos os resultados esperados” nesse ano de 2015 – ele não revela números, no entanto.

O executivo afirma que o reajuste foi adiado o máximo possível e que ele aconteceu, claro, por causa da recente valorização da moeda americana. “Essa escalada do dólar nos últimos meses passou todas as nossas expectativas com ele chegando a quatro (reais)”, fala Willen. “Então a gente olhou o consumidor, a pressão de custos muito forte e ajustou (o preço) o mínimo que a gente podia para manter essa temporada.”

É bom lembrar que, mesmo produzido no Brasil, o Xbox One usa muitos componentes importados, o que acaba impactando o custo da produção do aparelho. Foi esse também o motivo do preço do PlayStation 4, quando começou a ter fabricação nacional recentemente, não ter conseguido ficar menos do que R$ 2.599 – o valor é bem inferior aos R$ 4 mil em que ele ainda era vendido por aqui (isso, claro, falando oficialmente), mas ainda não é nem um pouco tentador. Mesmo que seja possível achar os consoles por preços bem mais em conta, os valores oficiais sempre influenciam os preços praticados, até mesmo no mercado cinza.

star wars battlefront

A situação financeira do país e a alta do dólar não estão afetando somente o preço dos consoles: muitos games também estão chegando às lojas com valores bem salgados. Antes com média de preços que variavam entre R$ 150 e R$ 180, os lançamentos para consoles agora estão sendo vendidos acima de R$ 199. Isso vem acontecendo com os principais jogos lançados nesse segundo semestre.

Os casos mais graves ficam com os títulos distribuídos pela WB Games (que atende tanto a própria Warner quanto a Electronic Arts aqui no Brasil). Mad Max e Fifa 16, por exemplo, foram lançados oficialmente por R$ 249. Já nos futuros Need for Speed e o aguardado Star Wars Battlefront, que estão em pré-venda, o valor chega a R$ 279 na mídia física. Nas versões digitais das lojas online do PlayStation e Xbox, o preço cai um pouco, podendo ser achados por R$ 229. Para esta reportagem, tentamos entrar em contato com a WB Games, mas ninguém da empresa quis comentar o assunto.

Em outras situações, o valor sobe assim que o jogo é lançado. Foi o que aconteceu com Assassin’s Creed Syndicate, que na pré-venda estava no valor R$ 199, mas quando chegou às prateleiras das lojas, no fim de outubro, passou a custar R$ 249. Assim como a WB Games, não conseguimos entrar em contato com a Ubisoft para comentar sobre o assunto.

Um caso, porém, que vai na contramão dos demais é Fallout 4. As versões para PS4 e Xbox One do aguardado RPG estavam custando R$ 249 na pré-venda, mas agora podem ser encomendados por R$ 199. Essa redução de R$ 50 aconteceu graças à Gaming do Brasil, que está distribuindo o jogo aqui no país.

A Gaming do Brasil vê com otimismo o cenário brasileiro e, por isso, decidiu realizar esse esforço em reduzir o preço. “Confiamos no Brasil e sabemos que nenhuma crise é eterna”, declara o gerente geral da Gaming no país, Juliano Bolzani. O executivo fala que houve tentativas, desde o início, de reduzir o preço de Fallout 4, mas só encontraram as condições ideais após o início da pré-venda. Porém, eles não queriam aplicar a redução após o lançamento. “Entendemos e compartilhamos a frustração de consumidores que compram um jogo no lançamento e pouco depois percebem uma redução nos preços, e essa não é nossa política”, fala.

Com o RPG da Bethesda sendo um dos grandes lançamentos nesse fim de ano e por todo o hype em volta dele, a redução também parece ser uma aposta quase segura da distribuidora de que o número de cópias vendidas seja o suficiente para compensar os eventuais prejuízos da diminuição do preço. E quem já tinha feito a pré-compra de Fallout 4? Bolzani explica que as pessoas devem entrar em contato com a loja em que adquiriu o jogo para atualizar a compra e ressarcir, de alguma forma, os R$ 50 de diferença.

É bom ressaltar que o preço de R$ 199 só vale para as versões de consoles de Fallout 4, já que a Gaming do Brasil não é responsável pela versão para PC. No Steam, o game está em pré-venda por R$ 229.

fallout_4_art_dog

Jogar videogame – pelo menos de forma mais tradicional, com consoles caseiros – sempre foi uma atividade cara, afinal eles são quase artigos de luxo, principalmente aqui no Brasil. Mas, quando os valores chegam a patamares muitos altos, isso acaba não sendo benéfico para ninguém. O jeito são os jogadores procurarem por preços melhores, e eles acabam achando isso nas lojinhas do mercado paralelo e importadoras. É o jogo do capitalismo, que sempre consegue mais vidas para continuar as próximas fases.