André Matarazzo, o dono da Gringo, uma das agências mais charmosas e exclusivas do Brasil, tem 30 e poucos anos, é provavelmente um dos melhores webdesigners do mundo. Quem me disse isso uma vez foi o Pedro Burgos e eu acredito no que o Pedro Burgos diz. Ainda assim, como bom jornalista, fui checar com o meu amigo Glauco Diógenes, um dos melhores ilustradores do Brasil. E Glauco arregalou os olhos e disse: "O cara é Top 5 do mundo. Fácil." Seja como for, e parece que é mesmo, André já fez um bocado de coisas na vida. Aos 17, foi estudar Hotelaria na Suíça. Depois foi estudar a mesma coisa nos Estados Unidos. Onde tentou a carreira de modelo, em Nova York, por quase um ano. "Batia em 60 portas por dias e tudo que fiz foi uns quatro desfiles que me renderam tipo uns 100 dólares", diz ele, bem humorado. De volta a São Paulo, foi controller na empresa financeira do pai – sem dúvida o primeiro executivo de finanças com couro cabeludo tatuado na história do capitalismo mundial! Até que, em 1997, aos 23 anos, caiu profissionalmente no mundo do design digital. Para não sair mais.

Trabalhou na Thunderhouse, um dos primeiros braços digitais da McCann, a convite de Bob Gebara. Depois foi para o Canadá, trabalhar na premiada Blast Radius, em Vancouver, entre 2000 e 2003. Foi transferido para Amsterdã, na Holanda, onde viveu e trabalhou um ano e meio. Depois trabalhou como diretor de criação na FarFar, em Estocolmo, na Suécia, tida como uma das agências mais criativas do mundo. Como só se vive uma vez, ainda foi trabalhar na TYO, em Tóquio, uma das grandes produtoras japonesas. Isso já era 2005 e estava na hora de voltar ao Brasil. 

De volta ao país, André funda a Gringo em março de 2006. "Minha sócia, Fernanda de Jesus, minha amiga de infância, economista, abrimos a agência colocando cada um 10 mil reais no negócio. Como a gente se define? A gente quer que a Gringo seja uma agência foda, onde as pessoas tenham tesão em trabalhar", diz. "Nosso primeiro funcionário foi o Ricardo Landim, diretor de arte. E nosso primeiro job foi para a Sony, ainda num desdobramento com a TYO: fizemos uma campanha em Flash, com conteúdo, que rodou no Yahoo. Quando ganhamos a conta da Absolut, em 2007, começamos a acoplar outras áreas à agência, como Planejamento e Mídia, e passamos a ter redatores". A segunda volta que a Gringo deu em seu caminho de crescimento como empresa foi com a conquista da conta da Coca Cola. "A gente tinha 11 pessoas na Gringo e só o time que atendia o cliente na outra agência tinha 22 pessoas…" Hoje a Gringo tem 70 pessoas e atende clientes como Coca Cola, Windows Live, São Paulo Futebol Clube, Levi’s, Unimed Rio, Boehringer, Absolut e Magazine Luiza.

Pergunto ao André: e como será a agência do futuro? André me responde: "E como será o cliente do futuro?" A resposta rápida e de efeito não embute uma saída pela tangente. André responde na sequência: "A gente está indo pelo caminho de fazer tudo, de oferecer o pacote completo. Queremos ser muito estratégicos, muito criativos e ter foco digital. Minha grande preocupação é crescer e ter que mediocrizar as entregas. Não quero perder a mágica."

E no tradicional pingue pongue estilo leitura de salão de cabeleleiros (sem trocadilhos visuais com você, André…) do Giz Reunions…

Qual é o seu maior orgulho?
"O que aconteceu com as pessoas que passaram e que estão na Gringo. Ver como cresceram, como se divertiram. Não é fácil trabalhar com a gente. E não é fácil ser relevante na vida das pessoas. Mas a gente tem conseguido. E a transformação das pessoas é o que mais me orgulha".

Qual o seu maior arrependimento?
"A agência foi formada muito em volta de mim, das minhas competências centrais – arquitetura, criação, interface, design. A parte organizacional ainda precisa melhorar. Como organizar 70 talentos em volta do trabalho, de modo a satisfazer todo mundo, a começar pelo cliente? A gestão do nosso crescimento ainda é um desafio para a gente".

Que outra vida você gostaria de ter?
"Queria ser um puta celista. Toquei violoncelo muitos anos. Meu ídolo é a Jacqueline Du Prés. Ela causou nos anos 60 e depois conviveu com uma esclerose múltipla por muitos anos. Ou talvez eu fosse psicanalista. Faço análise há décadas".

Onde você quer estar daqui a 10 anos?
"Quero estar trabalhando menos. Quero estar tocando mais cello. Não quero ser um workaholic trabalhando até às 23h como faço hoje. Ou então talvez vire um agricultor ao sul, sei lá, da África do Sul."

E o que significa essa tatuagem na cabeça?
"Nada, em si. É uma imagem tribal da Indonésia que eu acho bonita. E só."