Não deve ser segredo para ninguém que o Android é o sistema operacional móvel mais usado no mundo. No Brasil, nada diferente: 90% dos smartphones rodam a plataforma do Google. Só que o impacto do software, falando especificamente para nós, brasileiros, tem sido muito maior. É o que revela um novo levantamento que mostra como o Android vem influenciando o País como um todo, social e economicamente, ajudando a expandir o acesso à internet em todo o território nacional.

O relatório é uma parceria do Google com a consultoria global Bain & Company e traz várias informações sobre o impacto do Android no Brasil ao longo dos últimos anos. Vejamos alguns desses tópicos.

Mais gente na internet

No aspecto social, o dado mais significativo é que, com o Android, mais brasileiros puderam acessar regularmente a internet.

A parcela da população conectada saltou de 41%, em 2010, para 70%, em 2018. Só nos últimos cinco anos, 24 milhões de brasileiros usaram a internet pela primeira vez a partir de um aparelho Android. Hoje, 9 em cada 10 aparelhos em uso no Brasil rodam o sistema do Google.

O acesso via celular, inclusive, é o principal meio de acesso para 97% dos usuários de internet no Brasil, sendo que 51% só se conectam à rede utilizando um telefone móvel. Nas classes D e E, essa taxa é ainda mais discrepante: para 83% dos usuários de smartphone nessas classes, o celular é o único meio de acesso. Em estados como Acre, Piauí e Sergipe, mais de 70% da população digital usa apenas o smartphone para a conexão.

Em 2010, o Sudeste possuía 47% de sua população conectada, enquanto o Nordeste respondia por apenas 28%, uma diferença de 19 pontos percentuais. Em 2018, essa disparidade foi reduzida para 11 pontos percentuais nessas regiões, e agora 64% dos nordestinos têm acesso a internet, contra 75% dos habitantes do Sudeste.

Preços são decisivos

O impacto do Android no Brasil. Crédito: Bain & Company

Smartphones mais baratos são os mais populares nas classes D e E. Crédito: Bain & Company

Um dos fatores que contribuiu para a democratização do acesso à internet móvel com certeza foi o preço dos smartphones. O gasto médio com os aparelhos varia bastante nas diferentes classes sociais. Enquanto a classe A gasta em média R$ 2.100 ao comprar um novo aparelho, os usuários das classes D e E gastam em média R$ 780 na compra.

O motivo para troca de dispositivo também varia de acordo com a classe social: nas classes A e B, acontecem porque os consumidores procuram atualizações mais robustas, enquanto que nas classes D e E só compram um novo celular em caso de roubo ou defeito. Por falar nisso, somente 14% dos usuários possui um seguro contra perda e roubo contratado para seus aparelhos.

Impacto na economia

De acordo com o relatório, o ecossistema do Android contribuiu para a geração de uma receita estimada de R$ 136 bilhões nas empresas diretamente envolvidas com o uso do sistema no Brasil, associadas às indústrias de hardware, software e conectividade. O valor representa aproximadamente 2% do PIB brasileiro em 2019. Estima-se que 630 mil empregos estão nesta cadeia de valor direta da plataforma Android, o que equivale a aproximadamente 35% dos trabalhadores na indústria de tecnologia e telecomunicações.

O Android também contribuiu para a criação de um ecossistema de desenvolvedores e empresas de software, o que abriu novas profissões e formas de trabalho. Ganharam força dois tipos de trabalho: a dos envolvidos no desenvolvimento de aplicativos e a “gig economy” (a “economia do bico”), composta por trabalhadores temporários, autônomos e freelancers. O fenômeno é tão recente que, atualmente, cerca de 75% dos trabalhadores da carreira de desenvolvedores estão há menos de 5 anos trabalhando no setor.

Atualmente, 80% dos desenvolvedores brasileiros trabalham com Android, e pelo menos 78% deles iniciaram a carreira profissional usando o sistema do Google. Além disso, 73% dos profissionais consideram o Android como sua principal plataforma de programação, e 83% dizem escolher o software por se tratar de um ecossistema colaborativo e de código totalmente aberto. No estudo, 66% dos desenvolvedores entrevistados dizem trabalhar somente com o Android, e 40% recomendariam o sistema para colegas que pensam em ingressar na carreira.