Ciência

Antibiótico após o sexo reduz casos de sífilis, diz pesquisa

Chamado de doxi-PEP, estratégia de profilaxia foi testada em São Francisco e mostrou eficácia em reduzir casos de sífilis.
Imagem: Diana Polekhina/ Unsplash/ Reprodução

Na última segunda-feira (4), autoridades de saúde da cidade de São Francisco, nos Estados Unidos, anunciaram que a estratégia de usar o medicamento doxi-PEP reduziu pela metade a incidência de clamídia e sífilis precoce entre homens gays e bissexuais, além de mulheres transexuais. 

O nome doxi-PEP é uma abreviação para profilaxia pós-exposição com doxiciclina, que é um antibiótico já amplamente utilizado. No ensaio clínico em questão, o público alvo foi instruído a tomar dois comprimidos de 100 miligramas dentro de 72 horas após o sexo desprotegido.

Durante o período de um ano, pesquisadores observaram que novos casos de clamídia e sífilis precoce diminuíram na cidade. Contudo, a mesma profilaxia não mostrou influência no número de casos de gonorreia.

Os resultados foram apresentados na Conferência sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas e a estratégia está sob análise de pesquisadores e agentes de saúde dos EUA. Em outubro, o CDC (Center for Disease Control and Prevention) divulgou diretrizes preliminares sobre o protocolo e as recomendações devem sair nos próximos meses.

Entenda o caso

Um estudo de 2017 já havia indicado a eficácia do método. O Departamento de Saúde Pública de São Francisco, pioneiro na luta contra ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis), passou a recomendar o uso da doxi-PEP em novembro de 2022 para homens gays e bissexuais e mulheres transgênero, que representam 40% dos novos casos de ISTs por lá. 

Isso aconteceu antes mesmo do poder público publicar as diretrizes preliminares sobre a profilaxia. Então, eles rastrearam dados sobre a incidência de clamídia, sífilis e gonorréia na cidade antes e depois desse período. 

Ao longo de um período de 13 meses, os novos casos de clamídia e sífilis caíram em 50% entre o público alvo. Já entre mulheres cisgênero, o número de casos aumentou, o que comprova que a queda tem relação com o uso da profilaxia, segundo pesquisadores envolvidos no ensaio.

Controle de ISTs

Embora autoridades de saúde do mundo todo recomendem sempre o sexo protegido com uso de preservativo, há um aumento no número de casos de infecções sexualmente transmissíveis nos últimos anos.

Por exemplo, os EUA, onde aconteceu o ensaio clínico da doxi-PEP, atingiu a maior taxa de novas infecções de sífilis registradas desde 1950. Dessa forma, pesquisadores têm buscado outras maneiras de frear a disseminação dessas ISTs.

“Não é sutil, é muito rápido e estamos vendo o início, não o fim. Isso é o que queremos para a prevenção de ISTs”, disse ao NYT o Dr. Hyman Scott, diretor médico do Departamento de Saúde Pública de San Francisco.

Alguns especialistas apontam que o ensaio clínico apenas analisa o número de casos de ISTs em diferentes momentos. Contudo, revelam que os bons resultados da doxi-PEP dão esperança de um combate mais efetivo a essas infecções.

Próximos passos

Por enquanto, os testes foram feitos apenas com homens gays e bissexuais e mulheres transexuais. Dessa forma, cientistas afirmam que, caso houver a recomendação oficial, será para este público, uma vez que são os grupos que tiveram bons resultados.

Contudo, a maioria dos casos de ISTs nos Estados Unidos ocorre em mulheres cisgênero, segundo especialista do CDC. Por isso, eles consideram urgente a implementação de estudos sobre a eficácia da doxi-PEP nesse público também.

Além disso, há a necessidade de novos ensaios clínicos para eliminar a possibilidade dos dados estarem distoridos pelo surto de mpox em 2022. No período, os grupos de alto risco voluntariamente reduziram sua atividade sexual.

Por fim, cientistas revelam também o receio de que o uso da doxi-PEP gere casos de resistência a antibióticos. Mas os dados ainda são limitados para fazer essa afirmação.

Bárbara Giovani

Bárbara Giovani

Jornalista de ciência que também ama música e cinema. Já publicou na Agência Bori e participa do podcast Prato de Ciência.

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