Apesar da Organização Mundial da Saúde (OMS) desaconselhar o uso do remdesivir para tratar casos de Covid-19, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso do medicamento no Brasil nesta sexta-feira (12).

Com isso, o antiviral é o primeiro remédio a ser aprovado pela agência reguladora brasileira para tratar pacientes de Covid-19. O pedido de autorização havia sido submetido em 6 de agosto de 2020.

Durante a coletiva de imprensa, Raphael Sanchez, especialista da gerência de qualidade de medicamentos da Anvisa, explicou que o medicamento será vendido em pó e que deve ser reconstituído para solução injetável no momento da aplicação. A validade será de 36 meses e o nome comercial será “Veklury”. Os suprimentos para o Brasil serão provenientes de seis unidades de fabricação, sendo cinco delas localizadas no Estados Unidos e uma na Irlanda.

A Anvisa também estabeleceu alguns critérios para o uso do remédio. Ele poderá ser aplicado a pacientes com mais de 12 anos de idade e com peso mínimo de 40 kg. Além disso, o tratamento não será baseado no nível de gravidade da doença, mas será direcionado a pessoas com pneumonia e que necessitam de suplementação de oxigênio, desde que não estejam em ventilação mecânica.

A recomendação é que, inicialmente, seja aplicada uma única dose de 200 miligramas por meio de infusão intravenosa. Já no segundo dia, a dosagem deve ser reduzida para 100 miligramas. De acordo com a Anvisa, o medicamento deve ser administrado por, no mínimo, cinco dias e, no máximo, dez.

Nos EUA, a FDA também permitiu que o remdesivir fosse utilizado oficialmente no tratamento da doença em outubro do ano passado. Em setembro, o ex-presidente Donald Trump havia utilizado o medicamento por recomendação da sua própria equipe médica.

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A OMS, por outro lado, não recomenda o uso do remdesivir para casos de Covid-19, já que não há evidências de que ele possa, de fato, reduzir o risco de morte pelo coronavírus ou a necessidade de ventilação mecânica. As orientações se baseiam em um estudo, publicado na BMJ, que analisou mais de 7 mil pacientes.

Em entrevista à CNN, Mariângela Simão, vice-diretora geral da OMS, afirmou que a organização recomenda que mais pesquisas sejam realizadas sobre o uso do medicamento em casos de Covid-19, já que “com o conhecimento atual, ele não altera a progressão da doença e não evita mortes”. Ainda de acordo com ela, o medicamento “é injetável e bastante caro”.

[CNN]