Todos os problemas que você já encontrou em sua experiência com a Siri agora fazem mais sentido. Uma reportagem do site The Information esteve em contato com fontes internas da Apple, ex-funcionários que trabalharam nas equipes do projeto da assistente inteligente da empresa. E essas pessoas revelaram o caos em torno da Siri, que começou com a morte de Steve Jobs, incluindo lançamento às pressas da assistente e disputas internas quanto ao uso do software.

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Em entrevista ao The Information, antigos funcionários da Apple revelaram que a empresa apressou o lançamento da Siri no iPhone 4s antes da tecnologia estar completamente pronta.

A Apple adquirira a empresa por trás da assistente pessoal em 2010, por US$ 200 milhões, e Steve Jobs foi quem inicialmente impulsionou o projeto. Jobs faleceu um dia depois do lançamento do iPhone 4s, e foi aí que começou a queda da assistente digital, que não tinha mais um líder claro à sua frente.

“Quando Steve morreu, no dia seguinte ao lançamento da Siri, eles perderam a visão. Eles não tinham visão da totalidade”, disse um dos ex-funcionários entrevistados pelo The Information.

Evidentemente, uma assistente de voz digital precisa de atualizações periódicas. É necessário um trabalho contínuo para que ela seguisse se aperfeiçoando, especialmente depois de um lançamento prematuro, o que não esteve sempre tão claro na Apple. Richard Williamson, um dos antigos chefes do projeto da Siri, por exemplo, em vez de continuamente atualizar a Siri, queria que a assistente fosse atualizada anualmente, com o lançamento de novos iOS.

Google e Amazon provaram, com o Google Assistente e a Alexa, que esses softwares precisam estar sempre melhorando para atender as demandas dos usuários — e por isso hoje estão à frente da assistente da Apple.

Em resposta às alegações apresentadas pela reportagem, Williamson colocou a culpa nos criadores da Siri. “Ela era lenta, isso quando funcionava. O software estava cheio de bugs sérios. Esses problemas são de completa responsabilidade da equipe inicial da Siri, certamente não meus.”

Fontes entrevistadas pela reportagem também relataram um longa briga interna nas equipes da Siri para determinar se ela deveria ser focada em trazer informações rápidas e precisas ou na capacidade de realizar tarefas complexas.

A reportagem conta ainda que alguns engenheiros, frustrados com todos os patches que faziam na Siri, estavam considerando começá-la do zero. Em vez de trabalhar a partir da suposta má infraestrutura da assistente, iriam reconstruí-la. O que é muito difícil quando se trata de um software disponível em todos os dispositivos da Apple.

As fontes ouvidas revelaram que, antes do lançamento do alto-falante inteligente Amazon Echo, sequer havia planos de integrar a Siri ao HomePod, disponibilizado oficialmente no mercado apenas no mês passado. O dispositivo vinha sendo planejado desde 2013. Segundo o The Information:

“Em um sinal do quão despreparada a Apple estava para lidar com a concorrência, dois membros da equipe da Siri contaram ao The Information que sua equipe sequer sabia sobre o projeto do HomePod, da Apple, até 2015 — depois de a Amazon revelar o Echo no fim de 2014. Um dos planos originais da Apple era lançar seu alto-falante inteligente sem a Siri incluída, de acordo com uma fonte.

A Apple vai precisar de mais uniformidade interna e de um objetivo claro para a Siri se quiser ser uma concorrente séria ao Google Assistente e à Alexa. E isso, é claro, precisa se traduzir em uma experiência melhor para os usuários, incluindo, entre outras coisas, melhor interação com apps de terceiros e outros serviços.

[The Information, Mashable]