Tecnologia

Árabes investirão R$ 12 bi para transformar planta do Brasil em combustível

Macaúba é uma palmeira nativa brasileira e especialistas acreditam que pode ser a chave para o país aumentar a sua produção de combustível
Imagem: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

A Acelen, empresa controlada pelo fundo árabe Mubadala Capital, planeja investir pelo menos R$ 12 bilhões para transformar uma planta do Brasil em combustível. A companhia, que comprou da Petrobras a Refinaria de Mataripe em Camaçari (BA), tem planos ambiciosos para continuar com seus investimentos no Brasil.

A ideia da empresa é usar a o fruto da palmeira nativa brasileira Macaúba para uma produzir 1 bilhão de litros de diesel verde e combustível sustentável de aviação por ano. A expectativa é bater o martelo sobre o investimento no primeiro semestre do ano que vem. As informações são do CapitalReset.

A ideia é construir uma biorrefinaria na mesma área onde fica a refinaria de Mataripe. O plano envolve ainda o plantio da palmeira em 200 mil hectares de áreas degradadas na Bahia e no norte de Minas Gerais.

Palmeira brasileira que gera combustível

A macaúba é uma palmeira nativa e com muitas funções, mas ela ainda pouco explorada comercialmente. Especialistas acreditam que ela pode ser a chave para o Brasil aumentar a sua produção de biodiesel sem a necessidade de abrir novas áreas ou competição com culturas destinadas à alimentação, como a soja.

Além disso, com uma produção cinco vezes maior de óleo, a árvore tem capacidade de contribuir para a recuperação de pastagens e áreas degradadas. Assim, sendo também uma alternativa para aumentar a rentabilidade em fazendas pecuárias do país.

Assim, considerando-se uma demanda de 11,5 bilhões de litros de biodiesel em 2030, seriam necessários 11 milhões de hectares de soja para produzir todo o biodiesel necessário para a abastecer o mercado brasileiro. Isso representa cerca de dez vezes a área atual.

Já no caso da Macaúba, a área necessária para garantir o mesmo abastecimento seria 81,8% menor, de “apenas” 2 milhões de hectares. Os dados são de uma análise Viabilidade da macaúba para a produção de biocombustível, encomendada pelo WWF-Brasil e elaborada pela consultoria Atrium Forest.

“Há uma necessidade urgente de reduzir o uso de energias fósseis, como o querosene, no setor de aviação. Que está buscando inovações em termos de combustível limpo. A macaúba é uma excelente opção para gerar escala no uso de energia renovável e como combustível para aviação”, explica Ricardo Fujii, coordenador de conservação do WWF-Brasil.

Além do biodiesel e bioquerosene, é possível produzir tortas e rações de excelente qualidade para a alimentação animal, produtos alimentícios, farmacêuticos e cosméticos diversos. Dessa forma, a macaúba pode contribuir para introduzir a agroindústria em regiões com economia pouca dinâmica e elevados indicadores de pobreza, promovendo geração de renda e empregos.

Gabriel Andrade

Gabriel Andrade

Jornalista que cobre ciência, economia e tudo mais. Já passou por veículos como Poder360, Carta Capital e Yahoo.

fique por dentro
das novidades giz Inscreva-se agora para receber em primeira mão todas as notícias sobre tecnologia, ciência e cultura, reviews e comparativos exclusivos de produtos, além de descontos imperdíveis em ofertas exclusivas