Se você tem aracnofobia, odeio te dizer, mas as aranhas conseguem voar.

Não entre em pânico — basicamente, só as minúsculas conseguem levantar voo, um comportamento chamado de “balonismo”. Ao soltar um buquê de sedas parecidas com flâmulas, aranhas bebês sobem no ar para encontrar novos lares depois de chocar, e as adultas fazem o mesmo para se movimentarem mais facilmente e encontrar parceiras e novas fontes de comida. Algumas até mesmo cruzaram oceanos inteiros usando esses paraquedas de seda para flutuarem em correntes de vento.

• Estes são os sapos mais antigos já descobertos preservados em âmbar
• Estas são as pegadas mais antigas já registradas no planeta

E, embora o comportamento seja generalizado, os cientistas não descobriram exatamente como as aranhas conseguem chegar aos céus. Moonsung Cho, engenheiro de aerodinâmica da Universidade Técnica de Berlim, queria descobrir, então ele estudou as aranhas-caranguejo para ver quando decidiram decolar e como o faziam. Considerando que são aranhas que voam, as aranhas-caranguejo são decentemente grandes — ainda que tenham apenas cinco milímetros de comprimento —, por isso, Cho pensou que seriam excelentes objetos de teste, porque ele não precisaria de um zoom pesado para registrar seu comportamento.

Estilo o homem-aranha

O engenheiro reuniu 14 delas e as colocou em uma pequena estrutura em forma de cúpula em um parque de Berlim para ver como elas reagiram aos ventos naturais. Ele também as estudou no laboratório, usando túneis de vento controlados. Cho descobriu que, antes de voar para longe, as aranhas colocavam uma corda de seda para segurança. Elas então estendiam uma de suas pernas dianteiras no ar para avaliar a velocidade com que o vento soprava e de que direção ele vinha.

Se as condições do vento estivessem boas — o que, para essas aranhas-caranguejo, significava menos de 3,3 metros por segundo com um bom movimento vertical para cima —, elas se levantavam bastante eretas, enfiavam o rabo no ar e produziam de 50 a 60 sedas em nanoescala que as elevavam aos céus. Em média, essas sedas tinham quase três metros de comprimento. Uma vez que elas soltavam seus fios de âncora, elas partiam.

Aranhas-caranguejo como esta estendem um membro para avaliar o vento antes de decidir voar. GIF: Moonsung Cho

“Você precisa ver para crer”, disse Cheryl Hayashi, bióloga especializada em aranhas do Museu Americano de História Natural que não trabalhou neste estudo. “Isso te dá uma apreciação mais profunda pela maneira como as aranhas evoluíram para alcançar este feito — elas estão velejando pelo ar.”

Da perspectiva da física, esse método de voo funciona para as aranhas graças à viscosidade do ar comparada com a finura extrema de sua seda. Olhando para as linhas de seda sob um microscópio de escaneamento de elétron, Cho descobriu que muitas eram mais finas do que o comprimento de onda de luz visível, que varia de 400 a 700 nanômetros.

“Maioria dos insetos alados batem suas asas para construir um vórtex de ar para levantar seus corpos e fazê-los flutuar”, Cho contou ao Gizmodo. Mas essas sedas de nanoescala são tão finas que elas usam a viscosidade do ar para permanecerem flutuando. “Do ponto de vista da seda da aranha, o ar é como mel.”

Hayashi disse que faz sentido que essas aranhas confiram o clima antes e que não estejam apenas cuspindo seda para o alto ao tentar voar. A seda da aranha é feita de proteína e é energeticamente cara de se fazer; os aracnídeos não iriam gostar de desperdiçá-la. Em estudos futuros, Hayashi disse que estaria curiosa para ver se outras espécies estendem uma perna para testar o ar antes do balonismo também ou se isso é um comportamento só das aranhas-caranguejo.

Tanto Hayashi quanto Cho disseram que estudar a maneira como as aranhas voam pode oferecer informações às ciências físicas.

“Ao longo de milhões de anos, essas aranhas afinaram o uso dessas proteínas por certas funções”, incluindo o voo, Hayashi disse ao Gizmodo. “Acho que, certamente, poderíamos conseguir algumas ideias delas sobre aerodinâmica e a mobilidade de coisas pelo ar.”

Mais especificamente, Cho imagina dispositivos minúsculos, do tamanho de uma aranha-caranguejo, que poderiam flutuar em ventos de furacões ou tornados para coletar dados, talvez substituindo as aeronaves tripuladas que atualmente voam para dentro de tempestades. Embora ele admita que essa é uma meta ambiciosa, muito além dos limites da pesquisa atual, que foi publicada nesta quinta-feira (14), no periódico PLOS Biology.

E se você ainda estiver aterrorizado por milhares de aranhas minúsculas voadoras vindo na sua direção, Hayashi tem algumas palavras de consolo. “Talvez seja reconfortante saber que as aranhas podem sair da sua área”, afirmou. “Elas não simplesmente voam até você — aranhas são tímidas. Elas também podem voar para longe de você”.

[PLOS Biology]

Imagem do topo: Moonsung Cho