O Ártico atravessa um momento bastante difícil, mas as coisas ficaram ainda mais estranhas nos últimos dias, com as temperaturas ao redor do oceano Ártico medindo 20 graus Celsius acima do normal.

O gelo do Ártico está levando muito mais tempo para se recuperar

Uma reportagem do Washington Post detalha o clima estranho encontrado atualmente no norte do nosso planeta, em uma época em que o Ártico devia estar ganhando gelo marinho à medida que chega a noite polar. Em vez disso, o gelo marinho é o menor nessa época do ano desde que o registro via satélites começou. O crescimento do gelo é lento, se não estiver parado, e as temperaturas do ar estão loucas.

Eis o que especialistas do clima do Ártico disseram no Twitter nessa semana:

“Apesar do início da noite polar, as temperaturas perto do pólo norte aumentam. Situação extraordinária agora no Ártico, com baixo registro de gelo marinho.”

“Temperatura diária anormal na Ilha Vize, na Rússia. Temperatura até 20 graus Celsius acima do normal. Tabela é cortesia do Dr. Richard James.”

“A temperatura deveria estar indo para o outro lado. A persistência contínua desse padrão pode afetar significativamente a espessura do gelo marinho em 2017.”

Uma combinação de fatores parece estar contribuindo para o momento quente, inclusive o aumento das temperaturas da superfície do mar pelo Ártico, uma corrente de jato quente em direção ao norte, particularmente sobre o norte-central do Canadá, Alasca e o Mar de Chukchi. Ao mesmo tempo, o comportamento estranho de uma corrente de jato parece ajudar a empurrar a massa de ar extremamente fria para a Sibéria.

O clima muda rapidamente e, como disse Julienne Stroeve do Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo dos EUA ao Gizmodo recentemente, é cedo para dizer se isso vai significar um novo inverno fraco para o gelo marinho do Ártico. Talvez as correntes de jato se acalmem e o padrão climático do norte do nosso planeta volte ao normal em breve. Ainda assim, em um ano que recordes de temperatura são quebrados o tempo inteiro, é difícil lembrar o que exatamente é normal.

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Anomalias de temperaturas em outubro de 2016. Via NASA

[The Washington Post]

Foto de topo: Brennan Linsley/AP