Um dia em Marte –ou um “sol”, redução de “solar day”– dura 24 horas e 40 minutos, quase a mesma coisa que um dia terrestre. Por isso, a NASA nunca pensou muito nesta questão. Mas esses 40 minutos por dia vão se somando, e cientistas do sono agora estão preocupados pois nossos ritmos circadianos terrestres podem ser uma grande dor de cabeça a mais para os primeiros seres humanos em Marte.

No The Atlantic, Tom Chmielewski escreveu uma matéria fascinante sobre o problema do jet lag — ou deveríamos chamar de “rocket lag?” — em Marte. Um seleto grupo de seres humanos já encontrou este problema: os controladores humanos da missão dos veículos de exploração de Marte. Eles têm que acordar e dormir de acordo com o tempo marciano, ficando 2,5 dias atrás do resto da Terra no final de 90 dias.

Mas quando enviarmos humanos a Marte, como é que os seus ritmos circadianos vão se ajustar (ou não) ao longo de meses, ou possivelmente anos? Chmielewski observa que uma pesquisa recente descobriu ritmos circadianos humanos são naturalmente uma média de 24 horas e seis minutos para as mulheres e 24 horas e 12 minutos para os homens, com alguma variação individual. 40 minutos são o suficiente para nos atrapalhar? Pesquisador do sono de Harvard, Charles Czeisler diz que as simulações de curto prazo em seu laboratório descobriram que seres humanos, de fato, têm problemas para se adaptar a um dia solar marciano.

Ainda mais interessante é o problema da luz. A luz azul nos acorda, e o sol brilhante da manhã na Terra tem uma abundância de comprimentos de onda azul. Em Marte, no entanto, o pôr do sol também é azul. Marte é um lugar inóspito para o corpo humano, até mesmo nestas formas sutis. Leia mais sobre os problemas do sono em Marte no The Atlantic.

Imagem: Pôr do sol em Marte capturado pelo rover Spirit. NASA/JPL/Texas A&M/Cornell