Em 16 de agosto, um asteroide do tamanho de um carro chegou a 2.950 quilômetros de distância do nosso planeta. Com isso, ele se tornou o asteroide não impactante (ou seja, que não se colidiu) que mais chegou próximo do solo terrestre nos últimos nove anos.

Batizado de 2020 QG, o asteroide media entre três e seis metros de comprimento, que é o tamanho aproximado de um veículo utilitário esportivo (o famoso SUV). De acordo com a NASA, o pico da aproximação com a Terra aconteceu às 13:08 do último sábado (16) pelo horário de Brasília, quando o objeto surgiu a cerca de 2.950 km ao sul do Oceano Índico.

Isso marca a maior aproximação conhecida por um asteróide na nossa atmosfera desde 2011, quando o asteroide conhecido como 2011 CQ1 foi avistado a 2.500 km de distância do solo. Naquela época, o asteroide foi observado pelo Catalina Sky Survey, programa de monitoramento gerenciado pela agência espacial americana em parceria com a Universidade do Arizona, localizado no Observatório Monte Lemmon.

Para sermos claros, o 2020 QG não representou nenhuma ameaça à vida na Terra. Na verdade, é comum que asteroides desse tamanho se fragmentem na atmosfera antes de atingirem a superfície terrestre. O sistema solar tem aos montes objetos desse tamanho, mas eles só podem ser detectados quando estão próximos do nosso planeta. A maioria dos asteroides que passam perto da Terra é inofensiva – geralmente, não ficam mais perto do que a distância entre a Terra e a Lua, de 384.400 km.

O 2020 QG atingiu uma velocidade de 12.3 km por segundo, o que é considerado lento em comparação à velocidade atingida por asteroides. Ele girou cerca de 45 graus ao passar pela Terra, conforme explicou Paul Chodas, diretor do Centro de Estudos de Objetos próximos da Terra no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA.

“O asteroide voou perto o suficiente da Terra para que a gravidade do nosso planeta mudasse sua órbita de forma significativa”, disse Tom Prince, físico do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) e cientista pesquisador do Zwicky Transient Facility (ZTF), um campo de observação astronômica que utiliza o Telescópio Samuel Oschin, em San Diego.

A animação acima mostra a trajetória do asteroide, passando do ponto em que fica mais próximo da Terra, até se afastar completamente. Imagem: NASA/JPL-Instituto de Tecnologia da Califórnia.

O ZTF, localizado no Observatório Palomar, foi quem identificou o asteroide. O observatório é financiado pela Fundação Nacional da Ciência dos Estados Unidos e pelo Programa da NASA de Observação de Objetos Próximos da Terra – este último destinado a financiar projetos que detectam asteroides e outros objetos que passa pela órbita terrestre.

A pesquisa do ZTF que permitiu a detecção do 2020 QG também foi baseada em um programa de aprendizado de máquina que classifica e compara cerca de 100 mil imagens coletadas de vários países, todos os dias. Usando inteligência artificial, o sistema reduz a lista de potenciais asteroides para cerca de mil, que então passam a ser examinados por cientistas humanos. Neste caso, o 2020 QG foi avistado primeiro por Kunal Deshmukh, estudante do Instituto Indiano de Tecnologia de Bombay, na cidade de Mumbai, na Índia.

O asteroide apareceu como uma linha comprida em uma foto tirada aproximadamente seis horas após ficar o mais próximo da Terra. A captura foi posteriormente confirmada por outros telescópios terrestres, ajudando a confirmar a trajetória e as características físicas do objeto.

Como foi observado, o asteróide não representou uma ameaça. Perigos maiores vêm de asteroides com mais de 140 metros – estes sim podem causar danos consideráveis se atingirem a superfície da Terra.

Tanto telescópios ópticos quanto de rádio são usados para detectar e determinar o tamanho, forma, rotação e composição de objetos próximos da Terra. Além do ZTF, outros observatórios que fazem buscas de asteroides potencialmente perigosos incluem o Telescópio de Pesquisa Panorâmica e Sistema de Resposta Rápida (Pan-STARRS), no Havaí, os três telescópios do Catalina Sky Survey, no Arizona, e o Radiotelescópio de Arecibo, em Porto Rico, que atualmente está fora de serviço após ter a antena parabólica danificada por um cabo de energia.