Nesta semana, um asteroide passou pela Terra, chegando a uma distância de cerca de 70 mil quilômetros do nosso planeta. Não, você não precisa se preocupar com este asteroide específico (pelo menos não mais), mas você pode estar se perguntando como não ficamos sabendo disso.

Os tabloides escrevem semanalmente sobre as aproximações de asteroides na esperança de assustá-lo – mas esses asteroides quase sempre já estão no nosso radar e garantidos de que não atingirão a Terra. O asteroide que passou na noite de 24 de julho foi diferente. Ele só foi descoberto esta semana antes de chegar talvez um pouco perto demais da Terra para ignorarmos.

Uma equipe do Observatório SONEAR aqui no Brasil notou pela primeira vez o asteroide na quarta-feira (24), e ele apareceu nos dados de outra equipe americana no final do mesmo dia, antes de passar por nós horas depois. O asteroide em si tinha entre 53 e 130 metros de diâmetro, ou como vários astrônomos se referiam a ele, “um assassino de cidades”. Não era um assassino de cidades, é claro – ele não atingiu uma cidade e provavelmente não teria atingido uma cidade se tivesse acertado a Terra. Ainda assim, como uma coisa dessas passa despercebida?

Bem, esses asteroides são incrivelmente fracos, e algumas centenas de metros podem soar grandes se ele atingir a Terra, mas é incrivelmente pequeno em escalas astronômicas. Mesmo que essas rochas eventualmente cheguem perto o suficiente para que possamos realmente detectá-las, os telescópios de observação devem estar olhando para o lugar certo no céu quando os sinais passam.

O Congresso dos Estados Unidos tem pressionado a NASA para detectar e rastrear asteroides ameaçadores. Em 1998, o Congresso disse à NASA para encontrar os asteroides próximos da Terra com tamanho maior que um quilômetro dentro de 10 anos e, em 2005, expandiu essa meta para 90% dos asteroides que chegam perto da Terra com pelo menos 140 metros de tamanho. A infraestrutura mundial de descoberta de asteroides não consegue cumprir nem mesmo a meta de 140 metros, de acordo com um relatório da National Academies divulgado no início deste ano. Até agora, os cientistas só conhecem cerca de 30% dos estimados 25 mil asteroides que cumprem o mandato do Congresso. Ainda não há infraestrutura adequada.

O asteroide OK deste ano estaria abaixo desse limite.

“Não detectamos esse objeto porque não conseguimos detectar a maioria dos objetos nessa faixa de tamanho”, disse ao Gizmodo Amy Mainzer, principal investigador do telescópio espacial de busca de asteroides NEOWISE. “Sem novas capacidades, a maioria dos objetos nessa faixa de tamanho permanecerá desconhecida por muitas décadas. Além disso, com apenas as observações de luz visível disponíveis, temos capacidade limitada para dizer muito mais sobre seu tamanho ou composição. Provavelmente, há outros como este, mas não os vemos”. O relatório da National Academies sugeria a busca de um sucessor dedicado ao NEOWISE, chamado NEOCAM, que ajudaria a atingir esse objetivo.

Depois que os observatórios notaram o asteroide, os astrônomos o reencontraram nos dados do observatório do Pan-STARRS desde 28 de junho, depois que descobriram sobre sua existência. Mas esses registros mais antigos eram muito fracos para o sistema identificar automaticamente, explicou Gareth Williams, diretor associado do Minor Planet Center da União Astronômica Internacional, em um e-mail. Mainzer disse que os astrônomos devem continuar rastreando objetos como este, a fim de melhor determinar suas órbitas para ver se eles representam uma ameaça.

De fato, Matthew Holman, diretor do Minor Planet Center da União Astronômica Internacional, descreveu toda a situação como um sucesso. “Teria sido melhor ter encontrado as observações [Pan-STARRS] automaticamente antes”, disse ele, mas estava feliz que os observatórios independentes descobriram e determinaram que o asteroide não seria uma ameaça antes que ele passasse.

Para ser honesto, a maior parte do mundo é desabitada – por isso, mesmo que um asteroide desse tamanho atingisse o planeta, é improvável que isso teria prejudicado alguém. No início deste ano, um asteroide criou uma grande explosão sobre o Mar de Bering, que passou praticamente despercebido pelos jornalistas até meses depois, por exemplo. Mas é perturbador pensar que a nossa Terra pode ser atingida por algo sem que haja tempo suficiente para nos prepararmos, caso necessário. Se isso é algo com que você está preocupado, talvez seja um bom momento para cobrar seus políticos de priorizarem o financiamento de uma missão como o NEOCam.