O astrônomo amador Victor Buso estava testando seu arranjo composto de câmera e telescópio na Argentina em setembro de 2016, apontando o instrumento newtoniano para a galáxia espiral chamada NGC613. Ele coletou luz da galáxia nos 90 minutos seguintes, capturando pequenas exposições para não absorver a luz da cidade de Santa Fé. Quando ele observou as imagens, ele se deu conta que havia capturado uma potencial supernova – um enorme flash de luz e energia explodindo de uma estrela distante.

Essa é a supernova mais distante já observada
Foguete Falcon Heavy pode ter aumentado o número de asteroides que poderemos minerar

Buso coletou mais dados e informou os observatórios argentinos, que anunciaram o resultado de suas observações subsequentes nesta quarta-feira (21): “a surpresa descoberta de uma recém-nascida supernova normal do tipo IIb”, de acordo com um artigo publicado na Nature. Isso não apenas demonstra a importância da astronomia amadora, mas as imagens de Buso também providenciaram evidencias da explosão inicial da supernova, um fenômeno que telescópios raramente capturam, já que eles precisariam estar direcionados para o local exato do evento durante a explosão.

A supernova pode ser vista acima em um pequeno buraco negro no lado direito inferior. Imagem via Nature

“Isso é completamente único”, disse Melisa Bersten, astrônoma do Instituto de Astrofísica de La Plata na Argentina e a primeira autora do estudo, ao Gizmodo. “O fator mais entusiasmante é a emissão inicial”.

Bersten e sua equipe seguiram as observações de Buso monitorando outros telescópios, incluindo o telescópio Swift, que orbita a Terra, e os compararam com dados antigos dos arredores da supernova coletados pelo Telescópio Espacial Hubble. Este trabalho permitiu aos pesquisadores categorizar o evento, agora chamado de SN 2016gkg, do tipo IIb, ou o tipo de supernova que parece envolver estrelas gigantes ejetando suas camadas de hidrogênio externas.

Buso não só descobriu uma supernova, no entanto. Ele também apresentou evidências da fase da explosão há muito tempo procurada, conforme escrevem os cientistas, uma explosão de energia teorizada em emanar de uma onda de eletricidade da fonte da supernova.

Os pesquisadores apontam que é difícil generalizar com base em uma única supernova. Existem muitas outras pesquisas espaciais tentando fazer exatamente o que Buso fez: capturar uma supernova no momento em que ela acontece. Mas o artigo destaca quão sortudo ele foi: a chance é uma em um milhão “presumindo a duração de uma hora e uma supernova por século por galáxia”.

A pesquisa também mostra que astrônomos amadores com pequenos equipamentos avaliados em US$ 2 mil também podem produzir trabalhos impactantes.

“Particularmente em um país sem grandes telescópios”, disse Berstein, “é importante manter contato com amadores que podem fazer coisas muito valiosas para a ciência”.

[Nature]

Imagem de topo: Victor Buso